Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental e destaca importância de ações permanentes
Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental e destaca importância de ações permanentes

Campanha reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde mental

O começo de um novo ano costuma ser marcado por planos, expectativas e desejos de mudança. Em meio a tantas metas, o cuidado com a saúde mental também merece espaço. É a partir dessa reflexão que o Janeiro Branco convida a sociedade a olhar com mais sensibilidade para o bem-estar emocional e psicológico.

Criado em 2014, o Janeiro Branco é um movimento de conscientização sobre a importância da saúde mental, que ganhou reforço no Brasil em 2023 com a sanção de uma lei federal que oficializa a campanha no calendário nacional. O nome faz referência à ideia de uma “folha em branco”, simbolizando recomeços e a possibilidade de repensar escolhas e prioridades.

Para a professora dra. Marcia Calixto, coordenadora do curso de Psicologia, o mês de janeiro favorece esse tipo de reflexão.

“Janeiro, por ser um mês de recomeços, parece estratégico para despertar essa consciência”, afirma.

No entanto, ela destaca que o cuidado com a saúde mental não pode se limitar a um único período do ano.

“É um tema que exige atenção contínua e envolve fatores como condições socioeconômicas, acesso a serviços e políticas públicas.”

A professora ressalta que, embora o Janeiro Branco tenha um papel importante ao ampliar o debate, é necessário ir além das ações pontuais.

“Antes de falarmos sobre como buscar ajuda, é importante refletir se a campanha cumpre seu papel ou se pode se tornar apenas simbólica”, pondera.

Segundo ela, existe o risco de que a responsabilidade recaia somente sobre o indivíduo, sem considerar a necessidade de suporte coletivo.

No âmbito individual, Marcia Calixto destaca que algumas práticas são fundamentais para a prevenção e o cuidado.

“Buscar equilíbrio entre vida pessoal e profissional, fortalecer redes de apoio, respeitar limites, adotar hábitos saudáveis e incluir momentos de lazer fazem diferença”, explica.

Ainda assim, ela reforça que essas iniciativas precisam caminhar junto com ações estruturais.

“Saúde mental é um direito, e garantir esse direito depende de políticas públicas eficazes, acesso a serviços de qualidade e do combate ao estigma.”

A coordenadora também chama a atenção para abordagens superficiais sobre o tema.

“Frases motivacionais têm seu valor, mas não resolvem crises emocionais ou transtornos mentais complexos”, afirma.

Para ela, o envolvimento do poder público, das instituições e da sociedade é essencial para que a campanha gere impacto real.

“É necessário investir em serviços acessíveis, promover ambientes mais saudáveis e enfrentar preconceitos relacionados aos transtornos mentais.”

Ao final, Marcia Calixto reforça a mensagem central do Janeiro Branco.

“Saúde mental não é pauta de um mês, mas responsabilidade de todos, todos os dias.”

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