Setembro amarelo: professora do UNISAL fala sobre a questão do suicídio

Publicado em: 02/09/2019

A Psicóloga e professora do Centro Universitário Salesiano de São Paulo — UNISAL, Nadini Brandão Takaki, da Unidade Americana, Campus Maria Auxiliadora, preparou um artigo reflexivo sobre o Setembro Amarelo, uma campanha nacional que sensibiliza a sociedade em relação ao suicídio, uma questão de saúde pública. Confira!

Psicóloga e professora do UNISAL, Nadini Brandão Takaki

Você sabia que, em média, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo? No Brasil, o suicídio é a terceira causa de mortes em jovens do sexo masculino.

O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, portanto não podemos atribuir-lhe causas específicas ou fornecer respostas simplistas. Se o problema é complexo, não há soluções simples. Há uma série de elementos que precisam ser considerados e cuidados, como a presença de transtornos mentais, aspectos sociais, culturais, entre outros.

Sabemos que homens de 14 a 24 anos e acima dos 70 são a população mais vulnerável, e que indivíduos que já fizeram uma tentativa possuem o dobro de risco de realizar uma nova tentativa. No entanto, é importante saber que pessoas de diferentes classes sociais, idades e gêneros podem ser afetadas.

É por isso que a divulgação de informações corretas, feita de forma cuidadosa e responsável, com o envolvimento de toda a sociedade, é tão importante para a mudança deste quadro.

Existem diversos mitos e informações falsas que dificultam o auxílio às pessoas que se encontram em risco potencial para o suicídio. Frases como “quem quer se matar não avisa”; “é só para chamar atenção”, são um grande equívoco. A crença de que falar sobre o tema estimula as pessoas ao suicídio é parcialmente verdadeira, pois uma divulgação irresponsável pode ser um gatilho para uma tentativa, sim, mas falar sobre o assunto de forma cuidadosa é fundamental e pode salvar vidas.

Muitas vezes, os pensamentos sobre morte passam despercebidos. A pessoa pode não falar diretamente, mas pode se expressar de forma indireta dizendo, por exemplo: “tenho vontade sumir e não voltar mais”, “os outros ficariam melhor sem mim”, “eu sou um peso, seria melhor não existir”, etc.

Você deve prestar atenção aos seguintes sinais:

  • Mudanças drásticas de humor e comportamento
  • Diminuição do autocuidado (alimentação, higiene, etc)
  • Isolamento social
  • Deixar de fazer as coisas que gosta
  • Situações de ruptura (perdas, separações, desemprego, etc)
  • Desfazer-se de objetos de estima
  • Desespero, desamparo, desesperança
  • Automutilação
  • Abuso de drogas

O que fazer?

  • Não tenha medo de falar abertamente sobre o assunto
  • Escute, não julgue. Lembre-se que a pessoa que pensa em suicídio está sofrendo, ela não quer acabar com a vida e sim com sua dor
  • Mesmo que a pessoa peça segredo, não aceite. Disponha-se a ajudá-la a procurar a ajuda especializada de um profissional de saúde mental (psicólogos e psiquiatras)
  • Restrinja o acesso dessa pessoa a meios letais
  • Verifique como está a rede de apoio dessa pessoa
  • Procure um CAPS
  • Ligue no CVV – 188
  • Caso se depare com uma pessoa prestes a fazer uma tentativa, chame os bombeiros ou a PM, eles são preparados para lidar com esse tipo de situação. Não tente resolver tudo sozinho!