Confira como foi o III Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja

Teve início na noite de 19 de setembro de 2018 o III Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja, realizado pelo UNISAL na Unidade São Paulo/Campus Santa Teresinha, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). O evento contou com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Red Latinoamericana y Caribeña del Pensamiento Social de la Iglesia (Redlapsi) e a Sociedade Brasileira de Teologia Moral, e realizado concomitantemente ao 4º Simpósio Internacional do PEPG em Teologia (PUC-SP) e o 43º Congresso Brasileiro de Teologia Moral.

Antes do início oficial da programação, houve a apresentação cultural dos jovens e adolescentes do Centro Juvenil Salesiano Dom Bosco, que representaram com dança e teatro as formas existentes de desigualdades sociais, as necessidades de valorização da cultura e relembraram o papel social da Igreja – que para o Reitor do UNISAL, Pe. Eduardo Capucho, tem uma tradição intelectual relevante para iluminar as decisões dos cidadãos. “Não tem o objetivo de dizer o cidadão deve fazer, mas iluminar e auxiliar em seus objetivos”.

Pe. Eduardo Capucho foi um dos componentes da mesa que presidiu a solenidade de abertura do Congresso, com Dom Odilo Pedro Scherer (Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Grão-Chanceler da PUC-SP), Pe. Justo Ernesto Piccinini (Chanceler do UNISAL) e Maria Amalia Pie Abib Andery (Reitora da PUC-SP). E para a conferência de abertura, veio ao evento Dom Óscar Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, em Honduras, que tratou de “Direitos Humanos: alternativa humana diante da globalização da indiferença”.

“Mais do que sabermos quais são os direitos humanos, precisamos levar à reflexão o reconhecimento desses direitos, que são universais. Nosso ponto de partida não pode ser outro, a não ser a antropologia humana”, afirmou. Dom Óscar Maradiaga destacou, ainda, que a globalização da solidariedade da qual falava João Paulo II, é hoje em dia é a resposta ante ao que denunciou o Papa Francisco sobre a globalização da indiferença. “Nós somos os habitantes desta grande casa em comum, somos irmãos. E, assim sendo, não podemos olhar para o outro lado, enquanto alguns sofrem, fechando os olhos e vivendo com indiferença, pois o amor ao próximo é a base do cristianismo”, concluiu.

 

O segundo dia de atividades (20/09), precedido pela abertura de Maria Inês de Castro Millen (Presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Moral) trouxe mais especialistas e informações relevantes aos participantes. A Conferência sobre “Direitos Humanos e Magistério Pontifício” foi conduzida por Gustavo Irrazábal, da Universidade Católica da Argentina, enquanto Maria Luisa Aspe Armella, da Universidade Iberoamericana do México, tratou da “Violação dos Direitos Humanos e compromisso eclesial”. Maria Luisa está envolvida na produção de um grande estudo sobre o papel da Igreja na América Latina, que deverá ser entregue no final de 2019. Como prévia do trabalho acadêmico, a mexicana falou sobre a participação dos padres católicos na defesa dos direitos civis durante as ditaduras na América do Sul e Central, nas décadas de 1960, 1970 e 1980.

Na primeira mesa-redonda do dia, os docentes Ney de Souza (PUC-SP) e André Bocatto (UNISAL e PUC-SP) debateram “Direitos Humanos e Teologia Latino-americana”. E para tratar de “Doutrina Social da Igreja, uma doutrina personalista” o Congresso recebeu José Roque Junges, da Unisinos de São Leopoldo-RS. O tema “Doutrina Social da Igreja, dignidade humana e libertação das injustiças” ficou a cargo de Maria Isabel Gil Espinosa, da Pontificia Universidad Javeriana (Bogotá, Colômbia). Os congressistas puderam acompanhar, ainda, o momento de Comunicações, onde alguns palestrantes compartilharam outras alternativas, a partir do tema central, para que os Diretos Humanos possam ser garantidos, à luz da doutrina cristã.

 

Para a abertura do terceiro e último dia de Congresso (21/09), o público recebeu Matthias Grenzer, Coordenador do PEPG em Teologia da PUC-SP. A conferência “Direitos Humanos, Cidadania e Doutrina Social da Igreja” não pôde ser realizada pela impossibilidade da presença de Clélia Peretti (PUC-PR). Em substituição, o Congresso recebeu o Pe. Marcial Maçaneiro, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). “No Brasil muitos olham para o imigrante como se ele fosse um criminoso, mas ele é vítima. Os direitos humanos precisam resgatar a proteção jurídica de quem não é cidadão, e que não é criminoso só por não ter cidadania registrada”, observa. Para isso, propôs que a Igreja Católica e cada pessoa que a compõe reflita e amplie suas capacitações para outros campos além da teologia, como a sociologia, antropologia, o direito e o serviço social, por exemplo.

A primeira mesa-redonda do dia recebeu Emilce Cuda (da UCA – UNAJ de Buenos Aires, Argentina), que tratou de “Direitos Humanos, Minorias e Doutrina Social da Igreja”, e Pe. Ronaldo Zacharias, Coordenador da Pós-Graduação em Educação em Sexualidade do UNISAL e Secretário da Sociedade Brasileira de Teologia Moral, que abordou “Direitos Humanos, Questões de Gênero e Doutrina Social da Igreja”. Ambos ressaltaram a importância de uma visão dinâmica dos direitos humanos na atualidade, capaz de compreender as mudanças e necessidades não só para que todos tenham direitos assegurados, mas acima de tudo sejam acolhidos e compreendidos em todas as dimensões que compõem a sua humanidade, em um desafio antropológico e ético.

Para compor a mesa-redonda “Direitos Humanos numa Igreja em Saída”, o Congresso recebeu Edelcio Ottaviani, do Centro Universitário Assunção e PUC-SP, e Donizete Xavier, da PUC-SP. Na conferência final, que foi transmitida ao vivo pela internet pela TV PUC, o Campus Santa Teresinha recebeu Dom Bruno-Marie Duffé, que é Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano. Apresentado por Rosana Manzini (Diretora Operacional do UNISAL – Unidade São Paulo e Chefe do Departamento de Teologia Prática da PUC-SP, além de docente das duas instituições), Dom Bruno conversou com os presentes e os convidou para um “Não à indiferença diante do humano que sofre!”. “Não podemos ser negligentes, pois a indiferença é uma atitude característica do individualismo, com um desejo explícito de não olhar o outro, e uma recusa em entender que cada ser humano é diferente. A pessoa que sofre está sozinha, perde suas forças, a consciência, a integridade, seus relacionamentos e a dignidade”. Olhar e interagir com o outro é um primeiro passo para grandes mudanças, segundo ele. “Podemos ser artesãos da paz, pois, construir a paz é uma arte que precisa de sensibilidade e destreza”, concluiu.

 

A terceira edição do Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja contou com a cobertura de diversos veículos de comunicação, entre eles o jornal O São Paulo, jornal O Globo e TV Canção Nova.