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25 abr

O quadro

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marilia

Rogério e Ana eram apaixonados um pelo outro.

Moravam juntos há aproximadamente um ano e apesar de não terem a aprovação de suas respectivas famílias para aquele relacionamento, viviam felizes e se completavam.

Rogério era analista de sistemas e Ana, artista plástica. Certa vez, Ana iniciou a pintura de um lindo quadro que trazia, num primeiro plano, a figura de dois amantes de costas, contemplando as estrelas. Ao fundo, Ana havia projetado um lindo céu noturno, com um manto estrelado magnífico e uma lua muito clara. 

Rogério era um fã ardoroso das telas de Ana e este quadro, em especial, fazia Rogério sonhar com um piquenique noturno em que, com sua Ana, tivesse realmente tempo para contar todas as estrelas do mundo.

Ana era cautelosa e caprichosa, por isso, pintava lentamente, saboreando cada pincelada de sua obra. No entanto, aquele quadro não recebeu sua assinatura ao final. Não pôde ser terminado. Um acidente fatal apagou algumas estrelas daquela tela, antes mesmo que elas pudessem ter sido pintadas por Ana. Sobraram então, Rogério, uma tela inacabada e muita saudade de Ana.

Angustiado, Rogério resolveu mudar de vida e de cidade. Vendeu tudo que tinha, doou todo material de pintura de Ana para um museu local, inclusive a tela dos dois amantes contando estrelas, colocou uma mochila nas costas e foi morar em outro país.

Muitos anos se passaram até que um dia, visitando uma exposição de quadros pintados por portadores de necessidades especiais, deparou-se com a tela de que tanto gostava. Lá estavam os dois amantes, contando estrelas. O quadro estava pronto e tinha ficado lindo.

Procurando o curador da exposição, Rogério contou-lhe sobre o quadro, a quem pertencera, em que ponto da pintura o quadro estava quando foi doado para um certo museu no Brasil, enfim, Rogério contou-lhe toda sua história.

O curador ouviu-lhe emocionado e depois lhe disse:
“Sabe, temos um programa de recuperação de obras inacabadas e doadas. Você gostaria de conversar com a pessoa que completou este quadro?”

Rogério ficou entusiasmado. Mas, quando conheceu a artista que havia completado o quadro, notou que ela era deficiente visual! Sem compreender como ela havia conseguido pintar detalhes tão pequenos, ouviu dela uma explicação que foi além de tudo que ele poderia sonhar.

“Sabe!”, disse a artista, “Eu não precisei dos meus olhos para completar este quadro. Uma doce voz soprava em meus ouvidos o lugar de cada estrela. Assim sendo, foi fácil pintá-lo”.

Rogério, entre lágrimas, perguntou-lhe:

“Olha, este quadro é muito importante para mim. Gostaria de comprá-lo. Qual é o seu preço?”

E a pintora respondeu:
“Não é nada! Já é seu. Essa doce voz que me orientou na pintura, também me avisou que alguém viria procurar por ele. E eu acho que esse alguém é você!” Ainda completou : “assim sendo, desejo felicidades a vocês dois neste reencontro”.

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