19 jun

Mercado exige e ‘veteranos’ voltam às faculdades por mais qualificação

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liberal- 19-06-2016- mercado exige e veteranosO americanense José Roberto Rocha, 49 anos, mudou totalmente os rumos da sua vida quando optou por cursar Direito. Advogar era um sonho desde a infância, mas ele precisou ingressar no mercado de trabalho muito cedo e trabalhou por muitos anos sem rotina fixa e viajando. Antes de começar a faculdade, optou por fazer um curso técnico em Direito do Trabalho e acabou desistindo por conta de uma oferta de emprego.

Quatro anos depois, decidiu, finalmente, enfrentar o curso superior. “Eu percebi que teria que me adaptar e optar por renúncias profissionais para poder buscar esse sonho. Eu quero me realizar profissionalmente, me formando, e quero advogar nem que seja por pouco tempo, mas eu quero”, contou ele. Hoje, Rocha tem duas ocupações, além de cursar o quinto semestre de Direito em uma faculdade de Americana.

De acordo com dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em 2013, foram registradas 1,2 milhão de matrículas em cursos de graduação presenciais, semipresenciais e a distância em universidades públicas e particulares do País por estudantes com mais de 35 anos. Em 2014, o número subiu 8%, alcançando pouco mais de 1,3 milhão.

No Estado, o crescimento foi ainda mais aparente: em 2013 foram feitas 296.105 matrículas na mesma faixa etária e o número subiu 11% em um ano, chegando a 328.965 em 2014.

Eryzelton Baldin tem experiência de 14 anos como professor universitário em Americana. Ele disse que está acostumado a encontrar alunos com idade mais avançada nos cursos que leciona e que sente que o número tem crescido cada vez mais. Para ele, a exigência das empresas com relação à qualificação tem aumentado gradativamente e isso tem forçado pessoas que ingressaram no mercado de trabalho mais cedo a procurarem cursos superiores.

“Há 20 anos, por exemplo, para muitos cargos dentro da indústria não se exigia uma graduação. Mas hoje é pré-requisito, a pessoa tem que entrar com graduação e a pós-graduação acabou virando um diferencial”, disse ele.

Uma pesquisa realizada com cerca de 1,5 mil estudantes na unidade de ensino onde Baldin leciona revelou que o crescimento profissional motivou 50,7% deles a procurarem os cursos. “O que a gente entende é que a pessoa já está trabalhando na área e enxerga que para crescer precisa se qualificar”, completou o docente. De acordo com a pesquisa,13,4% dos estudantes consultados estavam na faixa etária de 31 a 40 anos; 5,2% tinham entre 41 e 50 anos e 1% tinha mais que 50 anos.

Rotina e desconfiança são os principais desafios

Acostumar-se com a rotina de estudos é um desafio para os alunos mais velhos. “No primeiro semestre eles sentem um pouco mais de dificuldade porque ficaram um tempo longe do estudo, longe da escola. O pessoal que faz ensino médio e entra na graduação já está ‘quente’, já está acostumado com o processo, já tem aquela rotina de todos os dias ir para a escola, de ouvir o professor, de fazer trabalho, de prova, aquela coisa toda”, explicou Baldin.

Mas a experiência também ajuda os alunos a lidarem com as dificuldades. “No começo foi um pouco estranho e eu percebi até alguma reserva de alguns professores. Às vezes o professor fazia uma pergunta para os alunos para testar os conhecimentos jurídicos, e quando essas perguntas envolviam alguma história que eu tinha vivido, eu respondia ao pé da letra”, conta Rocha.

Ele relatou que o preconceito com a idade está presente nos ambientes da faculdade e existe por parte dos contratantes na busca por um estágio. Ele contou que já participou de alguns processos seletivos e teve a impressão de que foi muito bem nas provas, mas não foi chamado para as vagas.

“É um drama para o estagiário veterano. Eu acredito que a maioria pega um currículo e pensa: ‘nossa, esse cara aqui, com essa idade, deve ser todo ofegante, não sobe escadas, tem dor nas costas’. E na realidade não é assim. Já tenho uma certa idade, mas eu faço exercício, tenho mais fôlego do que muito garoto muito mais novo do que eu. Então, as vezes a pessoa te julga pela idade”, disse.

Fonte: O liberal

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