6 jun

Artigo: Experiências do XVIII ENCEP

.Por Moacir Pereira*

De 14 a 16 de Maio de 2013 participei do XVIII Encontro Nacional de Coordenadores de Cursos de Engenharia de Produção, em Foz do Iguaçu-PR, cujo tema foi “Competências do Engenheiro de Produção em Ambiente de Desafios Globais”.

O ENCEP, segundo a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), “é o principal evento orientado à integração entre profissionais do ensino na área de Engenharia de Produção no país. Reúne, habitualmente, a quase totalidade dos coordenadores de curso de graduação e de pós-graduação da área, constituindo-se no principal evento de planejamento das atividades de ensino e pesquisa realizados no âmbito dos cursos de Engenharia de Produção”.

Percebe-se, ao longo do tempo, que esse encontro consolidou-se como o principal fórum de discussão e debate de questões inerentes à Engenharia de Produção no país, bem como de integração/intercâmbio entre as diversas instituições de ensino superior brasileiro que mantêm cursos na área de Engenharia de Produção.

O que mais me chamou a atenção no encontro, dentre vários assuntos abordados, foi a palestra do Prof. Scavarda – Vice-reitor da PUC Rio  falando por videoconferência sobre Desafios Globais para o profissional de engenharia em geral, perguntando “o que é mais importante”? – pessoas com muito conteúdo ou com mais competência?

Com relação às competências, comentou sobre algumas que as escolas devem começar a pensar a respeito. São elas:

a) capacidade de trabalhar em grupo (atualmente educa-se praticamente para o trabalho solitário), porém na vida profissional o engenheiro de produção vai e deve trabalhar em grupo;

b) complexidade: a engenharia está se tornando bem mais complexa, por exemplo, no Rio de Janeiro há uma procura grande de pessoas buscando assuntos sobre petróleo, gás e afins;

c) o engenheiro tem que saber lidar muito bem com assuntos técnicos e não-técnicos, de tal forma que tenha abrangência na profissão e busque auxílio para complementação nas tomadas de decisões – essa deve ser uma competência forte;

d) interagir com pessoas de outras áreas, por exemplo, para assinar um determinado contrato deve contar e buscar apoio de um advogado (de acordo com o tema/negócio/assunto). Outras áreas implicam também profissionais que não são da engenharia;

e) o engenheiro deve ter propensão forte para se expor a uma outra cultura (estrangeira), pois assim tem condições de desenvolver responsabilidade ética. Aprendemos muitas vezes por exemplos do que por meio de uma disciplina, por isso deve-se ir além da pura matéria e partir para o exemplo/mostra no exercício da profissão. O aluno de engenharia de produção deve educar-se constantemente – realizar educação continuada: a juventude de agora muda com muito mais constância do que a geração mais velha, daí a necessidade da educação continuada;

f) a flexibilidade, essencial para ser um bom Engenheiro de Produção no novo ambiente atual, e a sustentabilidade – percepção de valor econômico de um projeto – são fundamentais. O engenheiro tem que entender o aspecto técnico e o aspecto econômico, já que a sustentabilidade envolve questões sociais e ambientais, e deve organizar processos e verificar as consequências. O engenheiro de produção ganha um “corpo” lógico baseado em todas essas competências.

É notório que as escolas de Engenharia de Produção devem esforçar-se para, de alguma forma, desenvolver nos futuros profissionais todas essas competências que o mercado está começando a exigir dos profissionais.

Ao final do Encontro, ficou claro que o Engenheiro de Produção é um profissional de formação altamente técnica, com viés econômico-financeiro, que deve/pode atuar nos diversos segmentos da indústria, comércio e serviços buscando principalmente a otimização de processos produtivos ou adaptados à situação que se encontra.

*Prof. Dr. Moacir Pereira  Formado em Administração, com Mestrado em Engenharia de Produção pela Unimep de Piracicaba, Doutorado na Unimep, focando a tese na Logística de Abastecimento de Medicamento na Farmácia Hospitalar. Atualmente, faz pós-doutorado no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer – CTI, trabalhando a Logística Reversa de Equipamentos Eletromédicos. Além da Coordenação, Moacir leciona nos cursos de graduação e pós-graduação do UNISAL Campinas/São José.

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