Aluno de Engenharia Mecânica produz prótese para moradora de Guaratinguetá

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O projeto BITSAL incentiva a pesquisa no ensino superior e favorece a tecnologia assistiva

Um acidente com arma de fogo, em 2012, reduziu a mobilidade de Maria Emilia da Silva, de 34 anos. E recentemente a história da balconista aposentada, de Guaratinguetá-SP, surgiu no caminho de Raphael Furtado, um futuro Engenheiro Mecânico que está sendo formado pelo UNISAL. A responsável por esse encontro de trajetórias foi a Prof.ª Coordenadora do curso de Engenharia Mecânica do UNISAL –  Unidade Lorena, Regina Cabette. “Eu conhecia Maria Emilia há alguns anos e soube de sua dificuldade de locomoção. Quando tive a alegria de encontrar o aluno Raphael, e também saber de sua vontade em trabalhar com tecnologia assistiva, resolvi unir essas duas pessoas”.

E para Raphael foi mais que um desafio – significou também a realização de um sonho de vida. Além de ser contemplado com a Bolsa de Iniciação Tecnológica do UNISAL (BIT-SAL 2018), que prevê 30% de desconto na mensalidade paga pelo aluno, ele coloca em prática os primeiros passos da área em que almeja atuar.

O desenvolvimento do projeto

Entre fevereiro e dezembro de 2018, o futuro engenheiro, com a orientação da Prof.ª Regina Cabette, fez o relatório do projeto. Com as etapas do estudo teórico, entrou em contato com fornecedores do mercado de prótese e até contou com o apoio de patrocinadores do ramo (Ortho Pauher, UNIMED Lorena-SP e Mameluko) e de parceiros anônimos (dentre eles médicos, professores, família e até amigos). Ele também apresentou seu projeto no VII Seminário de Extensão do UNISAL (em 22/09/18) e na Mostra de Produção Científica (em 20/10/18).

Com tanta colaboração, o projeto inicial, com valor total de R$3 mil, passou a custar R$1.200. Mas a iniciativa também enfrentou resistência, segundo Raphael. “Além da falta de informação na internet sobre a produção de próteses específicas de amputação parcial, caso da Maria Emilia, como pessoa física eu não consegui adquirir materiais para o projeto. Por isso, recorremos à parceria das empresas do ramo”.

Com todas as etapas acima vencidas, na última semana do mês de novembro de 2018 a prótese foi finalizada, quando Regina, Raphael e Maria Emilia se encontraram novamente para concluir o projeto. Foram tiradas as medidas do membro inferior amputado para a produção do molde, posteriormente feito em gesso, e a prótese foi entregue à Maria Emilia – praticamente um presente de natal antecipado.

“Tenho muita limitação para caminhar. Quando preciso realizar atividades fora de casa, prefiro bicicleta ou moto, pois o fato de andar a pé me causa muitas dores. Receber essa prótese de silicone de pé é o mesmo que um sonho realizado. Sei que são muitos os que me ajudaram a dar meus novos passos de vida, sem obstáculos”, afirma Maria Emilia.  

O relatório do projeto foi entregue em 03 de dezembro de 2018, totalizando dezenas de horas de trabalho, que foi ainda mais intenso nas últimas semanas, com a presença de Maria Emilia. É para contribuir com o conhecimento e também com a ação social que o UNISAL forma profissionais e cidadãos, para o mercado de trabalho e para a vida. E a sociedade retribui e reconhece ações do tipo. “Temos a intenção de produzir uma nova prótese e darmos continuidade a esse projeto. Por isso, até já recebemos a doação da chamada “capa da prótese de pé de silicone” para esse mesmo tipo de amputação, que é o caso da Maria Emilia”, finaliza Regina Cabette.