Apresentação

A partir de referenciais da Educação Sociocomunitária, o VIII Seminário tem como tema a discussão dos Processos educativos e culturais contra hegemônicos a fim de descortinar saberes de experiência e conhecimentos gestados em práticas educativas capazes de fazer frente aos processos de regulação impostos pela globalização de cima para baixo, com intenção de gerar contribuições para consolidação de ações educativas emancipatórias.

As dimensões sociais e comunitárias da Educação se referem a um projeto coletivo, compartilhado e participativo que visa o bem comum e serve para atender aos interesses e necessidades dos múltiplos grupos sociais em suas localidades, espaços e territórios que sentem e reagem diretamente às políticas globais expansionistas e colonizadoras que impõem modelos culturais, políticos, ideológicos e econômicos aos países na periferia do capitalismo.

Sendo a Educação o campo do debate reflexivo e das ações entende-se que está inextrincavelmente ligada a tomadas de posição frente aos movimentos de manutenção e aumento das desigualdades. Ao assumirmos o compromisso com a mudança e a transformação das condições dadas, dos discursos e ações dominantes e hegemônicos nos alimentamos de esperança com a formação de novos sujeitos para projetos societários mais humanos e inclusivos.

Nos colocamos como resistência à ordem cultural, política, ideológica e econômica existente, que domina e busca, de muitos modos, explícitos e implícitos, impor-se como forma hegemônica. Muitos dispositivos são operados para a massificação, o controle e o disciplinamento. Entretanto, desvios e fugas são formas astuciosas de burlar a ordem imposta. Assim como a ruptura, a abertura de brechas e o enfrentamento direto se mostram como forças potenciais contra a resignação, contra o aprisionamento, contra o que mata a vida, a favor das necessidades e interesses dos que não são vistos e ouvidos ou que são invisibilizados e silenciados.

Faz-se urgente colocarmo-nos individual e coletivamente no debate e nas perspectivas de ação formando e instaurando movimentos contra hegemônicos, de resistência, dos dominados, que são muitos, mas configuram-se como minorias (étnicas, de gênero, de classe social, etárias), já que para o capitalismo os grupos encontram-se nos lugares em que devem estar.

Essa escolha ancora-se em contributos teórico-metodológicos críticos de todo o mundo, especialmente aqueles pautados na pesquisa qualitativa, especialmente participante.

Consideramos que a rigorosidade de teorias científicas está ligada ao seu teor de dialogicidade e não ao seu acúmulo de certezas. Destarte, esta edição do Seminário de Educação Sociocomunitária traz debates pautados em resultados de pesquisas, práticas educativas e produções audiovisuais que abordam processos educativos e culturais, tecendo reflexões acerca dos rumos da educação, em meio a cenário político marcado por retrocessos e incertezas no Brasil e em todo o planeta.

Assim, o VIII Seminário traz temas urgentes e atuais para o exercício reflexivo e do diálogo, principalmente entre a Educação Sociocomunitária e seus interlocutores mais próximos: a Educação Salesiana, a Educação Social, a Educação Não Formal e a Educação Popular.

O VIII Seminário sobre Educação Sociocomunitária tem como principais objetivos:

  • Criar espaços de discussão, debates e trocas de experiência entre grupos de pesquisa e pesquisadores dedicados ao estudo das práticas, teorias e histórias
  • da educação sociocomunitária, da educação salesiana, da educação social, da educação não formal, da educação popular, da educação nos movimentos sociais, da educação no “terceiro setor” e das relações entre escola e comunidade, entre outras;
  • Engendrar reflexões acerca da reciprocidade das influências entre escola, família, organizações comunitárias e instituições sociais de caráter mais amplo enraizadas no cotidiano das pessoas com quem atuamos, ensinamos e aprendemos.

Os Seminários sobre Educação Sociocomunitária legitimam-se pelo fato de serem promovidos pelo UNISAL, uma instituição para quem a Educação Sociocomunitária – ações educacionais para além dos muros escolares, ou considerando práticas não formais de educação dentro de espaços institucionais – sempre foi marcante. Os Seminários iniciaram-se em 2006, com o nome de Colóquio sobre Educação Sociocomunitária.

O I Colóquio destacou a discussão sobre o alcance do conceito de Educação Sociocomunitária, o II Colóquio destacou o debate entre as Concepções de Educação Sociocomunitária e Educação Não formal, o III Colóquio foi Práticas educativas e comunidade: experiências e reflexões, o IV Colóquio privilegiou a apresentação de experiências educacionais e de debates teóricos a respeito delas e o V Colóquio abordou o tema: “Diversidade, inclusão e Educação Sociocomunitária”.

A partir de 2011, o evento passou a se chamar Seminário sobre Educação Sociocomunitária, tomando novas dimensões, apresentando e discutindo temas atuais e emergentes.