Pra Sempre UNISAL | Ex-Alunos
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O som do violino, as aulas de latim, os ensinamentos de astronomia e o dom do acolhimento e da solidariedade com os pobres

 

Maria Aparecida Alkimin
Formada em Direito em 1991
Professora da Graduação e do Mestrado em Direito

É certo que o dinamismo da vida traz três componentes importantes: sonhos, esperanças e recordações. De fato, vivemos de sonhos, esperanças e recordações dos momentos importantes e também das pessoas que participaram de vários processos que integram a nossa vida ou passaram por nossa vida e marcaram-nos com atitudes, gestos ou palavras de carinho, amor, solidariedade; enfim, pessoas que deixam ensinamentos e valores que carregamos por toda a nossa existência.

Minhas recordações no ambiente salesiano remontam ao ano de 1987, quando então passei a integrar a instituição salesiana de duas formas: como aluna do recente curso de Direito (2ª. turma) e como empregada no exercício da função de auxiliar de departamento pessoal junto ao departamento da instituição de ensino que, naquela ocasião, estava localizado onde hoje é o laboratório de química.

Nesse ano de 1987, meu primeiro dia de trabalho foi especial e marcante, pois estava retornando do almoço para assumir o trabalho a ser desenvolvido no período vespertino e, quando ainda estava na portaria, comecei a ouvir o som de um violino. Ao me aproximar do corredor, próximo ao local do meu trabalho (departamento pessoal) deparei-me com a imagem que mais me encantou nesses anos todos de convivência no ambiente salesiano: era o Padre Hugo Greco, do andar tranquilo e dos olhos azuis, com seu violino, fazendo ecoar um som suave, cuja melodia fazia coro com o cantar dos pássaros, Ele me olhou profundamente e deslizou um sorriso cativante, fazendo-me sentir acolhida e também me fez crer que estava em um lugar especial, pois senti que ele era especial.

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Padre Hugo. Fonte: Jornal O Lince

Foram poucos anos compartilhando a presença do Padre Hugo, haja vista que adoeceu e veio a falecer no dia 22/6/90, mas o pouco tempo foi de muita satisfação e de muita graça, por ter encontrado no meio salesiano pessoa tão encantadora, cativante, generosa, solidária e acolhedora e que me proporcionou muito aprendizado, além de lição de vida, com seus atos de amor e de entrega ao próximo.

Tive oportunidade de participar da vida do Padre Hugo, acompanhando sua arte de tocar o violino, cujo horário preferido era o início da tarde, logo após o almoço, aprendendo latim nas aulas que ministrava nos dias de sábado pela manhã e, também, desfrutando de ensinamentos de astronomia que ele tinha prazer de transmitir aos alunos e demais interessados nessa ciência.

Padre Hugo Greco possuía um jeito muito especial de ensinar a ciência da astronomia, um método que ensinava e fazia com que assimilássemos os conceitos e termos científicos por meio da associação, ou seja, a ligação entre o termo científico e algum objeto, característica pessoal ou parte do corpo. Em um dos seus ensinamentos sobre constelações, quando com seu telescópio apontou-me as estrelas Canopus (estrela gigantesca localizada no hemisfério sul) e Sirius (uma das estrelas mais brilhantes que se avista no céu noturno), Padre Hugo disse-me: “Minha filha, você nunca vai esquecer se associar canopus a cano e sirius a cílios.” De fato, nunca esqueci!

Mas, as recordações do Padre Hugo Greco, marcantes na minha vida, não se limitam apenas ao som arrebatador do seu violino, às aulas de latim no dia de sábado pela manhã e aos ensinamentos de astronomia que ensinava nos pátios com o seu telescópio. Ele me marcou, principalmente, pela sua simplicidade e humildade, no falar, no vestir, no agir, bem como no modelo de pessoa humana que fez renúncias pelos pobres.

Nos dias de sábado, Pe. Hugo dirigia-se até a portaria da instituição onde tinha encontro com os pobres e entre eles distribuía o ganho auferido das aulas que ministrava, cujo gesto de solidariedade, cuidado, acolhimento e ajuda ao próximo foi a maior das suas lições. E essa lição de vida e modo de ser o tornou para mim muito mais que uma pessoa especial, mas também um homem santo, que reproduziu na sua vida os gestos de S. João Bosco.

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Porque o que dá sentido à vida não pode se perder no tempo!

 

DIREITO-1990

Ernesto Quissak
Formado em Direito em 1990 (1ª turma)

Recordo-me, como se fosse hoje, da primeira aula que tivemos na então recém-criada Faculdade Salesiana de Direito de Lorena. Era 1986 e os pouco mais de sessenta acadêmicos ainda não se conheciam. Era o primeiro contato entre nós e com a Faculdade de Direito. O Professor de Sociologia, Getulino do Espírito Santo Maciel, iniciou a fala dizendo: “O advogado que é apenas advogado é uma triste coisa.” E, partindo desse ponto, disse-nos que deveríamos, ao longo de nossa formação, cuidar para adquirir vasto conhecimento em todas as áreas do saber, em especial naquelas que dizem respeito às Ciências Humanas e Políticas.

No curso dos cinco anos de convivência e aprendizado, a pedagogia salesiana mostrou seu acertamento e, aos poucos, nos proporcionou conhecimentos diversos. Na área do Direito, além das disciplinas clássicas, como o Direito Civil e o Penal, contávamos com Direito Canônico e Direito Romano, o qual cheguei a lecionar na mesma Faculdade, depois de formado. O Latim também se fazia presente, em curso extracurricular, ministrado pelo saudoso P. Hugo Greco, que, com suas placas contendo declinações latinas, trafegava entre a multidão de alunos. Diziam que quando ele tocava violino, flutuava. É coisa de se imaginar, para quem o conheceu, pois sua aura luminosa, seu sorriso cativante e sua voz plena de bondade cativava a todos, quiçá também aos Anjos. E assim, neste centenário Colégio Salesiano – onde se inseria a Faculdade – fomos crescendo como acadêmicos, e, especialmente, como pessoas. Ali, logo se via, formavam-se Homens, não máquinas. Professores iluminados  guiavam-nos sempre, tais quais P. Nivaldo Peccinatti e P. Mario Bonatti, que desde sempre nos asseveravam que “a vida tem a cor que você pinta”.

brasao-direito-1986Alguns, desde cedo, já revelavam sua vocação absoluta para a advocacia, tal qual o Dr. José Pablo Cortes e o Dr. Carlos Eduardo Tupinambá Macêdo; outros, pretendiam concursos públicos e, mais alguns, apenas se aprimorarem, pois já tinham seus ofícios consolidados em anos de carreira em outras searas. Fosse como fosse, cada qual ali encontrava o que procurava e muitos ainda militam no sagrado ofício do Direito, chegando aos ápices, cada qual em seu trecho. Eu próprio, advogado desde então, recordo-me da alegria em poder participar ativamente da vida acadêmica na Faculdade Salesiana de Direito, seja ajudando na formação do Centro Acadêmico, seja criando o Símbolo da Faculdade, até hoje em uso. Foram anos de intensa vivência, estudo e aprendizado.

De lá para cá, décadas transcorreram e as sólidas bases científicas e morais havidas nos bancos acadêmicos permitiram-me constatar o acertamento da primeira lição recebida, pois nos tornamos mais que advogados, tornamo-nos homens e mulheres que fazem a diferença neste mundo tão carente de Justiça no sentido maior do termo. Deveras, como já se disse, “a grandeza do homem pode ser medida, não por sua riqueza ou fama, mas por suas ações, seu caráter, sua verdade, sua tolerância, sua caridade, sua confiança, sua amizade, seu amor por seus semelhantes”.

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Reencontro de alguns Ex-Alunos da 1ª turma de Direito em 2015.

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