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Para Mierzwa & Hespanhol (2005, p. 20), reuso da água é o “uso de efluentes” tratados para fins benéficos, tais como irrigação, uso industrial e fins urbanos não potáveis. Sua prática é conhecida em todo o mundo há muitos anos.

Deve-se considerar o reuso da água como parte de uma atividade abrangente com o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle das perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água (UNIVERSIDADE DA ÁGUA, 2007).

Muito embora o nosso planeta tenha três quartos de sua superfície coberta pela água, deve-se considerar que apenas pequena parcela, referente à água doce, pode ser aproveitada na maior parte das atividades humanas, sem que sejam necessários grandes investimentos para adequar suas características físicas, químicas e biológicas (MIERZWA; HESPANHOL, 2005).

O reuso da água para fins não-potáveis tem sido impulsionado em todo mundo em razão da crescente dificuldade de atendimento a uma demanda cada vez maior de água para o abastecimento público doméstico e da escassez cada vez maior de mananciais próximos ou de qualidade adequada para abastecimento após tratamento convencional da água (BASSOI; GUAZELLI, 2004).

Em 1958, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas promulgou o princípio da substituição de fontes de abastecimento, estabelecendo que “a menos que haja excesso, nenhuma água de boa qualidade deve ser usada em aplicações que tolerem o uso de água com padrão de qualidade inferior” (MIERZWA; HESPANHOL, 2005, P. 20).

O reuso da água pode ser planejado ou não (PHILIPPI JR; MARTINS, 2005). O reuso indireto não planejado do recurso hídrico ocorre quando a água  utilizada em alguma atividade humana,é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada, de maneira não intencional e não controlada.

O reuso indireto planejado ocorre quando os efluentes depois de tratados são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais, subterrâneas ou no atendimento de algum uso benéfico.

O reuso direto planejado das águas ocorre quando os efluentes depois de tratados são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. A indústria utiliza o reuso na refrigeração e alimentação de caldeiras e na água de processamento.

No meio urbano os usos são para: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, de ruas e de pontos de ônibus. A água da chuva é considerada pela legislação brasileira como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados e dos pisos para as bocas de lobo.

 Nos diversos usos são utilizados: na aqüicultura, construções, controle de poeira e na dessedentação de animais (CENTRO INTERNACIONAL DE REFERÊNCIA EM REUSO DE ÁGUA, 2010).

A prática de reuso é um dos componentes do gerenciamento de águas e efluentes e é um instrumento para a preservação dos recursos naturais. Contudo, a prática do reuso de água espera ser institucionalizada e integrada aos planos de proteção e desenvolvimento de bacias hidrográficas (NOGUEIRA, 2008).

A opção pelo reuso da água visa principalmente garantir o atendimento às demandas e, dessa forma, possibilitar que as aspirações por uma melhor qualidade de vida sejam atingidas.

Luecy da Silva Barboza concluiu os cursos de Pós-Graduação em Gestão Ambiental e em Perícia em Meio Ambiente no UNISAL (Pólo Roseira).

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Segundo Jacobi, a água se originou da liberação de grandes quantidades de gases hidrogênio e oxigênio na atmosfera, que se combinaram e deram origem aos vapores de água. Durante o período de formação do Planeta, as temperaturas só possibilitavam a água em forma de vapor. À medida que as temperaturas baixaram, os vapores se transformaram em nuvens, que foram atraídas pela gravidade e caíram em forma de chuva na superfície da Terra. Assim, houve acumulação progressiva de água principalmente na superfície, nos estados líquido e sólido (gelo) e simultânea formação de vapor de água pelos mecanismos de evaporação e transpiração dos organismos vivos. A parcela que se infiltrou na superfície e se acumulou entre as camadas de rochas do subsolo formaram as águas subterrâneas – os lençóis e os aquíferos é o chamado Ciclo Hidrológico. (Jacobi 2006: 01).

Assim, o Ciclo Hidrológico é o responsável pela manutenção desse recurso natural acumulado na superfície e no interior do solo. Com o calor irradiado pelo Sol, grande parcela da massa de água transforma-se em vapor, que se resfria à medida que vai subindo à atmosfera, condensa e forma nuvens, as quais voltam a cair na Terra sob ação da gravidade, na forma de chuva, neblina e neve.

Estudiosos e cientistas preveem que em breve a água será a causa principal de conflitos entre nações. Conforme texto publicado no Almanaque Brasil Sócio-Ambiental sobre a água, 2004 há sinais dessa tensão em áreas do planeta como no Oriente Médio e na África.

Mas também os brasileiros, que sempre se consideraram dotados de fontes inesgotáveis, vêem algumas de suas cidades sofrerem a falta de água. A distribuição desigual da água é a principal causa dos problemas. Neste contexto, o Brasil encontra-se numa posição privilegiada, possuindo 12% da água doce superficial do mundo.

No século XX, a demanda de água aumentou em mais de seis vezes, superando em duas vezes o crescimento populacional no período. O consumo per capita do recurso aumenta geometricamente com a melhora da renda da sociedade.

A distribuição geográfica da água na superfície terrestre é bastante irregular. A escassez de água já atinge 21 países, principalmente aqueles localizados em regiões áridas, onde os índices de chuva são menores, e naqueles onde o alarmante processo de desertificação avança.

Na atualidade, ocorrem mais de 70 conflitos em todo o mundo envolvendo a disputa por recursos hídricos. No futuro, muitas guerras entre países vão ocorrer pelo controle da água.

O consumo de água tem aumentado, nas últimas décadas, com o crescimento da população mundial e da expansão das atividades agrárias e industriais. Ao mesmo tempo, aumentou a poluição, a contaminação e o desperdício dos recursos hídricos, fato que pode levar a uma grave crise em todo o mundo pela escassez de água doce num futuro próximo.

Segundo Bassoi e Guazelli, o Brasil é o campeão mundial, concentrando 12% da água doce da Terra. Mesmo assim, 80% dos recursos hídricos brasileiros estão na região Amazônica, área que comporta apenas 5% da população. O Centro-sul do país, região mais populosa, concentra 15%. A situação do Nordeste é preocupante, pois a região concentra 25% da população brasileira e apenas 3% dos recursos hídricos nacionais.

Assim, para atender ao atual consumo mundial de água doce, “usamos 54% das fontes disponíveis. Nesse ritmo chegaremos a 70% em 2025. A Organização das Nações Unidas (ONU) defende o acesso à água salubre como uma necessidade humana fundamental”. (Almeida e Rigolim 2002:102).

Para Willians, cerca de 97,5% de toda a água na Terra são salgadas. Menos de 2,5% são doces e estão distribuídas entre as calotas polares (68,9%), os aquíferos (29,9%), rios e lagos (0,3%) e outros reservatórios (0,9%). Desta forma, apenas 1% da água doce é um recurso aproveitável pela humanidade, o que representa 0,007% de toda a água do planeta. (Willians 2006: 15)

O gerenciamento dos recursos hídricos é a forma mais moderna de planejamento dos usos das águas e controle da sua qualidade e disponibilidade hídrica, com o objetivo de minimizar ou evitar os conflitos decorrentes do mau uso da água doce. Deve-se, portanto, ter por meta a distribuição criteriosa e racional da disponibilidade hídrica e a proteção da qualidade das águas.

É uma substância e um recurso ambiental, natural, fundamental à existência dos seres vivos em todo o Planeta.

A água doce precisa ser entendida como um bem finito e escasso, cuja disponibilidade vem decaindo ao longo dos anos. É uma substância e um recurso ambiental, natural, fundamental à existência dos seres vivos em todo o Planeta.

Luecy da Silva Barboza concluiu os cursos de Pós-Graduação em Gestão Ambiental e em Perícia em Meio Ambiente no UNISAL (Pólo Roseira).