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Segundo Jacobi, a água se originou da liberação de grandes quantidades de gases hidrogênio e oxigênio na atmosfera, que se combinaram e deram origem aos vapores de água. Durante o período de formação do Planeta, as temperaturas só possibilitavam a água em forma de vapor. À medida que as temperaturas baixaram, os vapores se transformaram em nuvens, que foram atraídas pela gravidade e caíram em forma de chuva na superfície da Terra. Assim, houve acumulação progressiva de água principalmente na superfície, nos estados líquido e sólido (gelo) e simultânea formação de vapor de água pelos mecanismos de evaporação e transpiração dos organismos vivos. A parcela que se infiltrou na superfície e se acumulou entre as camadas de rochas do subsolo formaram as águas subterrâneas – os lençóis e os aquíferos é o chamado Ciclo Hidrológico. (Jacobi 2006: 01).

Assim, o Ciclo Hidrológico é o responsável pela manutenção desse recurso natural acumulado na superfície e no interior do solo. Com o calor irradiado pelo Sol, grande parcela da massa de água transforma-se em vapor, que se resfria à medida que vai subindo à atmosfera, condensa e forma nuvens, as quais voltam a cair na Terra sob ação da gravidade, na forma de chuva, neblina e neve.

Estudiosos e cientistas preveem que em breve a água será a causa principal de conflitos entre nações. Conforme texto publicado no Almanaque Brasil Sócio-Ambiental sobre a água, 2004 há sinais dessa tensão em áreas do planeta como no Oriente Médio e na África.

Mas também os brasileiros, que sempre se consideraram dotados de fontes inesgotáveis, vêem algumas de suas cidades sofrerem a falta de água. A distribuição desigual da água é a principal causa dos problemas. Neste contexto, o Brasil encontra-se numa posição privilegiada, possuindo 12% da água doce superficial do mundo.

No século XX, a demanda de água aumentou em mais de seis vezes, superando em duas vezes o crescimento populacional no período. O consumo per capita do recurso aumenta geometricamente com a melhora da renda da sociedade.

A distribuição geográfica da água na superfície terrestre é bastante irregular. A escassez de água já atinge 21 países, principalmente aqueles localizados em regiões áridas, onde os índices de chuva são menores, e naqueles onde o alarmante processo de desertificação avança.

Na atualidade, ocorrem mais de 70 conflitos em todo o mundo envolvendo a disputa por recursos hídricos. No futuro, muitas guerras entre países vão ocorrer pelo controle da água.

O consumo de água tem aumentado, nas últimas décadas, com o crescimento da população mundial e da expansão das atividades agrárias e industriais. Ao mesmo tempo, aumentou a poluição, a contaminação e o desperdício dos recursos hídricos, fato que pode levar a uma grave crise em todo o mundo pela escassez de água doce num futuro próximo.

Segundo Bassoi e Guazelli, o Brasil é o campeão mundial, concentrando 12% da água doce da Terra. Mesmo assim, 80% dos recursos hídricos brasileiros estão na região Amazônica, área que comporta apenas 5% da população. O Centro-sul do país, região mais populosa, concentra 15%. A situação do Nordeste é preocupante, pois a região concentra 25% da população brasileira e apenas 3% dos recursos hídricos nacionais.

Assim, para atender ao atual consumo mundial de água doce, “usamos 54% das fontes disponíveis. Nesse ritmo chegaremos a 70% em 2025. A Organização das Nações Unidas (ONU) defende o acesso à água salubre como uma necessidade humana fundamental”. (Almeida e Rigolim 2002:102).

Para Willians, cerca de 97,5% de toda a água na Terra são salgadas. Menos de 2,5% são doces e estão distribuídas entre as calotas polares (68,9%), os aquíferos (29,9%), rios e lagos (0,3%) e outros reservatórios (0,9%). Desta forma, apenas 1% da água doce é um recurso aproveitável pela humanidade, o que representa 0,007% de toda a água do planeta. (Willians 2006: 15)

O gerenciamento dos recursos hídricos é a forma mais moderna de planejamento dos usos das águas e controle da sua qualidade e disponibilidade hídrica, com o objetivo de minimizar ou evitar os conflitos decorrentes do mau uso da água doce. Deve-se, portanto, ter por meta a distribuição criteriosa e racional da disponibilidade hídrica e a proteção da qualidade das águas.

É uma substância e um recurso ambiental, natural, fundamental à existência dos seres vivos em todo o Planeta.

A água doce precisa ser entendida como um bem finito e escasso, cuja disponibilidade vem decaindo ao longo dos anos. É uma substância e um recurso ambiental, natural, fundamental à existência dos seres vivos em todo o Planeta.

Luecy da Silva Barboza concluiu os cursos de Pós-Graduação em Gestão Ambiental e em Perícia em Meio Ambiente no UNISAL (Pólo Roseira).