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Considerado por muitos, Dom Bosco na terra, P. Mario relata fatos curiosos nos 61 anos de trajetória na Instituição Salesiana 

O dia era 12 de março de 1952. Nascia a Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras, em Lorena, São Paulo.

Durante a inauguração, um olhar atento e cheio de dúvidas também se fazia presente. O jovem de 21 anos, Mario Bonatti, se alegrava em participar daquele evento, que tinha na lista de convidados o Ministro da Educação, Senhor  Ernesto Simões Filho. Tal presença foi possível por ser um marco para o Brasil. Afinal, estava sendo inaugurada a segunda Instituição de Educação Superior Privada a se instalar no interior do estado de São Paulo e a primeira particular no Vale do Paraíba. Naquela época só havia a USP e PUC. Padre Mario Bonatti tem uma memória de surpreender no alto de seus 85 anos. Em um bate-papo com a equipe de Comunicação e Marketing do UNISAL, ele recordou a fala do Ministro na ocasião: “O bom professor não é o que aperta, mas sim o que ensina. Como o bom médico é quem cura”, destacou em seu discurso, o Ministro da Educação, Ernesto Simões Filho.

Mario Bonatti concluía o 3º ano do Colegial, hoje ensino médio. Junto com a inauguração da faculdade, também tinha início um laço de amor, permanente até os dias de hoje.

No ano seguinte, em 1953, se inscreveu para o Curso de Letras Neolatinas: português, espanhol e francês, apesar de não esconder de ninguém o anseio em aprender outros dois idiomas: inglês e alemão.

Após 4 anos de formação em Letras, ganhou um bolsa de estudos e embarcou em uma viagem de conhecimento. Roma (Itália) foi o local escolhido, e se tornou residência do estudante Mario ao longo de seus 5 anos de formação em Teologia. “Foram anos incríveis, aperfeiçoei os idiomas e aprendi novos com meus colegas de classe”, revelou P. Mario, que na época também se tornou um craque no basquete, modalidade ensinada pelos professores norte-americanos aos quais ele se afeiçoou.

No UNISAL já houve defesa de tese de doutorado

Após 5 anos em Roma (Itália), ele voltou para Lorena onde continuou a lecionar na Faculdade de Letras (década de 60). No interior do Vale, percebeu que as letras poderiam levá-lo para uma nova missão: Doutorado sobre a língua materna: dialeto trentino de Rio dos Cedros com o que é falado em Trento (Mattarello). Com tanto envolvimento na pesquisa comparativa sobre o que mudou do vocabulário cultural e universal, o teólogo conseguiu uma façanha incrível: saiu da graduação direto para o doutorado. “Acharam a tese importante para a cultura, o meu trabalho foi analisado por 3 professores da USP e 2 da PUC/SP”, disse P. Mario, que depois teve a tese traduzida para o italiano.

Enquanto Mario aperfeiçoava seus estudos, o Brasil passava por mudanças políticas. Mudanças às quais fizeram P. Mario se aproximar de uma daquelas personalidades marcantes ao longo de sua história no UNISAL: professor José Luiz Pasin, um dos presos pelos militares, em 1970, acusados de subversão. Para P. Mario, o saudoso Pasin sempre buscou praticar, mesmo que em plena ditadura, a leitura e a discussão entre os alunos de História do UNISAL.

Ao longo de quase 4 anos de Doutorado, Mario viu que a língua progride ao ser apresentada à cultura local e moderna. Ao final do estudo, o salesiano foi convidado a dar aula na Universidade de Coimbra, Portugal, onde permaneceu por um ano, e, por isso, se afastou das atividades no UNISAL. No ano seguinte, ele ministrou aulas de Linguística Antropológica no programa de Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Dois anos de docência provocaram nele saudades da casa que o acolheu ainda como aluno. De 1970 até os dias de hoje P. Mario permanece no UNISAL.

As decisões em âmbito nacional eram acompanhadas atentamente por P. Mario. Após 11 anos de estudo, desde a saída do Colégio até a ordenação sacerdotal em Turin, Itália, ele acumulou conhecimento, livros, amizades e histórias.

P. Mario Bonatti hoje é o assessor salesiano no UNISAL Lorena. Fala 8 idiomas, é autor de 13 livros, corintiano de coração, fundador da extinta Revista da Faculdade Salesiana de Lorena e um dos símbolos vivos de Dom Bosco. Acredita no amor como maior herança deixada pelo homem ao próximo. Ao ser perguntado sobre o que sempre permaneceu nesses mais de 60 anos de história no UNISAL, ele é enfático em dizer: “A vontade de ajudar os jovens, como aprendi com Dom Bosco”, revelou P. Mario, que utilizou de seu conhecimento e habilidade com idiomas para ensinar ao próximo.

Ah, e para quem tem dúvidas sobre o acento no nome “Mario”, o Padre ressalta que os anos de estudo o revelaram uma curiosidade. “O acento é inútil, inexistente em idiomas como inglês, alemão, russo e outras línguas. Ele só atrapalha, atrasa o aprendizado”, concluiu o assessor salesiano.

Conheça mais sobre P. Mario Bonatti

Padre Mario Bonatti, é natural da localidade entre Rio dos Cedros e Pomerode em Santa Catarina. É o mais velho de 8 irmãos, 4 homens e 4 mulheres. Os irmãos ainda são todos vivos, por isso na agenda de lazer estão incluídas viagens, pelo menos duas vezes ao ano, à cidade natal.

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