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Vinicius Maximiliano Carneiro
Formado em Direito em 2001.

Retornar à nossa casa de graduação é sempre um orgulho e uma emoção sem igual. Já se vão 15 anos desde que me formei e ainda não tinha conseguido aqui retornar para poder compartilhar um pouco do que tenho vivido na área jurídica. Ver os novos alunos, com aquela ansiedade peculiar do mundo novo da universidade, somada a todas essas dinâmicas de mercado do século 21 nos faz sentir “antigos”, mesmo que ainda contemporâneos! Além disso, não posso deixar de frisar minha felicidade em rever colegas de classe que me abrilhantaram com a presença, como o Dr. Frederico Sodero, o Dr. Bruno Creado e o Dr. Antonio Sávio. Rever amigos de longa data, e mais ainda, diante de um público de jovens futuros profissionais do Direito, me fez retornar às memórias dos bancos da faculdade, com grande alegria e satisfação de uma parte do dever cumprido. Por derradeiro, eu reforço o que mencionei durante a palestra proferida na XXXI Semana Jurídica: poder estar com todos no evento foi a realização de um dos meus sonhos… sonho este que sonhei ainda na cadeira da XI Semana Jurídica, quando entrei na faculdade, e, ao assistir um ciclo de palestras, afirmei a alguns colegas da época: um dia, eu estarei no palco falando para os alunos! E foi isso que felizmente aconteceu e que me deixou muito honrado.

A diferença do público da Graduação é assustadora! Eu brinquei com todos que, só para dar um exemplo, em nossa época os códigos eram em preto e branco e impressos! Ou seja, para achar um artigo não existia ainda o Ctrl-f (atalho para pesquisar uma palavra)! Além disso, pesquisa para trabalhos tinha que ser feita na biblioteca, lendo dezenas de livros de diversos autores. Não existiam smartphones, tablets ou Internet liberada como é hoje. Laptop era coisa de gente muito chique e não de estudante de direito.

Porém, essa diferença é hoje a essência desse novo mercado de trabalho. Apesar do Direito ser considerado uma profissão “conservadora”, com a dinâmica do mercado e das relações interpessoais, seu patrimônio e terceiros, continua a ser tão problemática quanto quando estava eu nos bancos da Graduação.  Fui monitor de Direito Comercial por 2 anos, e, a meu ver, foi uma das áreas que mais sofreu evolução e adaptação, especialmente com o novo Direito da Empresa, do Código Civil e agora do Código de Processo. Os alunos de Direito hoje têm a possibilidade de produzir muito mais conteúdo e conhecimento do que nós tínhamos 15 anos atrás, além da rápida disseminação e compartilhamento do conhecimento. Costumo citar sempre um grande pensador futurista chamado Gil Giardeli, que sempre frisa: você é o que você compartilha! E o direito, a meu ver, é uma das maiores expressões da capacidade de compartilhamento humano, e que visa a preservação de direitos.

O profissional da área jurídica de hoje, tem de ter uma capacidade de processamento de informações muito maior e mais ágil que a nossa, especialmente pela diversidade de áreas do Direito que surgiram, além de, claro, a danosa produção legislativa frenética do nosso país. Mas uma coisa é certa: quem estiver na área jurídica, mesmo que nos próximos 20 anos, tem emprego e trabalho garantidos. A virtualização e digitalização dos tribunais só vai fazer aumentar a dependência do advogado, do juiz e do promotor, além da defensoria e do professor do direito.

Saber manipular esse caminhão de informações vai ser a diferença entre quem sempre vai ter o que fazer daqueles que vão sempre esperar por um aquecimento de mercado tradicional.

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