carlos-portaria-unisal-1

Carla da Silva Motta
Aluna de Engenharia Civil

Meu pai chegou ao UNISAL aos 19 anos de idade por uma indicação do meu avô, Pedro José Motta, que também foi funcionário da casa. Foram 27 anos de muito zelo, dedicação e amor como um funcionário incansável no único emprego que teve em toda a sua vida.  Posso dizer que o amor que ele sentia por toda a família UNISAL era incondicional e puro, todos os cumprimentos e informações dadas eram carregados do sentimento mais sincero em seu coração.

A vida é tão cheia de contradições, que um homem simples e de pouco estudo, cativou a todos em umas das instituições acadêmicas mais bem vistas de nossa Região. O seu jeitinho especial de ser “salesiano” ocultou a sua falta de entendimento intelectual, tornando-o uma pessoa de uma riqueza incalculável de valores éticos e humanos.  Toda a sua vida foi dedicada às pessoas que estavam em sua volta… Meu pai não fazia nada para si, e sim para o bem dos que o cercavam. Conhecia o UNISAL como se fosse sua casa, cada chave de cada portinha era o Carlão que sabia “de cabeça”! A sua jornada profissional não acabava após 8 horas, as 24 horas do seu dia eram dedicadas à excelência em seu trabalho, ele estava presente em todos os momentos.

Sempre que me lembro dele, me vem à memória uma frase da escritora brasileira Cora Coralina que diz muito sobre meu pai: “Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”. Comprovei isso de uma forma muito bonita, ele deixou um pedacinho dele em cada um que teve a oportunidade de conviver e o conhecer, ficando para sempre na memória. Tenho um grande orgulho de poder dizer que o Carlão da portaria, o auxiliar de pátio aos moldes de Dom Bosco, o Corintiano roxo do UNISAL, é o meu pai! E tive o prazer de aprender um pouquinho dessa vida bem pertinho dele, aprendizados que vou levar para a vida toda.

Durante esses dias, escutei do Padre Mario Bonatti que a vida do meu pai foi uma pregação, e que em cada gesto era possível ver Deus em seu coração. Além disso, já que a vida tem a cor que a gente pinta, a vida do meu pai foi tão colorida que nunca vai ser apagada dos nossos corações, ao contrário, sempre vai ser lembrada com sorrisos e memórias boas.

O porteiro, Carlos Motta, deixou um legado, uma história, mesmo que apenas com um “bom dia” ele, sem dúvida, provou que era um colaborador muito especial. Meu pai seguiu um dos ensinamentos mais bonitos que Dom Bosco deixou: “Se fizermos o bem, encontraremos o bem nesta vida e na outra”, e isso tenho certeza que ele fez. Mais uma convicção que tenho é que essa separação foi como um “até logo”, mas agradeço muito a Deus a oportunidade de poder o chamar de meu Pai, e sei que em breve todos nos encontraremos lá na portaria do Céu!

“Viveu , trabalhou, sofreu se alegrou, não perdeu tempo e com a vida evangelizou”. (Eliana Ribeiro – Música: Dom Bosco)

Baixe o E-book Gratuitamente com todas as histórias da 3ª edição dA vida nos Pátios do UNISAL!