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A “estrada judiciária” é repleta de incertezas e obstáculos.

Ninguém consegue percorrê-la tranquilamente, navegando num mar de rosas. Não há capacidade, habilidade ou perspicácia que consiga evitar as dificuldades do caminho. Ao Advogado, todavia, cumpre enfrentá-las. A tarefa é árdua, de trabalho incessante, ao qual deve dedicar todas as suas forças físicas, intelectuais e morais.

A rotina do Advogado é a luta. O marasmo, a apatia e a inércia devem ficar bem longe do profissional da Advocacia. O seu ambiente de trabalho é prenhe de paixões, da luta de interesses antagônicos. O bom Advogado não pode ser apático, indiferente, frígido. Dentre os inumeráveis contratempos da “estrada judiciária” contam-se as injúrias, os abusos e a inveja. Quanto mais respeitado, mais alvo das maldades. Uma coisa, entretanto, é sempre certa e infalível: a luta. A consciência do dever cumprido já compensa o Advogado de todo o seu trabalho, de todo o seu esforço. O Advogado é um dos poucos profissionais que, se deixa o trabalho de lado por poucos instantes, até mesmo para uma higiene mental, não consegue realmente repousar.

O cérebro do Advogado não para. Continua sempre elaborando teses, remoendo os vários aspectos da causa que abraçou. Onde quer que esteja, um bom Advogado estará absorvido pelas suas preocupações profissionais. Verdadeira a observação de ARI DOS SANTOS, no livro “Nós, os advogados”: “O advogado não tem horas. As suas horas são as dos seus clientes e cada cliente é um patrão que entende que o seu assunto deve passar por cima de todos os outros. Mal se levanta, começam em louca ebulição na sua cabeça as mil e uma hipóteses que tem de resolver. Enquanto um processo não está julgado, não tem um minuto de tranquilidade. As causas dos outros são as suas e por isso a vibração dos seus nervos é a soma das vibrações dos nervos dos seus clientes”.

O bom Advogado é aquele que se identifica com as causas que lhe são confiadas, sofre as mesmas angústias que os seus clientes, experimenta as mesmas decepções, sofre abalos pelos mesmos fracassos, se insurge contra as mesmas injustiças, vivencia os mesmos desesperos e as mesmas desilusões. Nós, Advogados, não temos sequer um dia de descanso. O Domingo, dia dedicado à folga de quase todas as profissões, é para nós, muitas vezes, o dia de maior trabalho, porque, livres das Audiências e dos atendimentos no Escritório, aproveitamos todo o dia para o estudo das causas de maior complexidade. Oportunamente, voltarei ao assunto.

Até breve!

Marcos Vinícius Rodrigues Cesar Doria concluiu o curso de Direito no UNISAL Lorena em 1990 (1ª turma). Atualmente é um BOM ADVOGADO.