educacao-distancia

Nos dias atuais a educação avançou em diferentes meios e possibilitou a inserção de pessoas de diferentes realidades sociais e localidades nos estudos em nível superior.

A proposta da educação a distância e as ferramentas tecnológicas foram uma das principais pontes de acesso ao ensino de tal população, seja através de Ambientes Virtuais de Aprendizagem, apostilas, livros, canais de televisão entre outros.

Diante de tal cenário de acordo com Wachowicz (2009) a prática da mediação pedagógica precisa ser parte constante das relações estabelecidas entre professor-aluno no contexto pedagógico, necessário em ambas às modalidades do ensino: presencial, por meio do professor, e a distância, através do tutor-presencial. Uma vez que o modelo tradicional de educação e de condição passiva do aluno, não mais sustenta as necessidades dos dias atuais. Devendo-se, portanto, incentivar a abertura reflexiva entre o diálogo e a prática educacional na relação professor-aluno.

Segundo Machado e Teruya (2009) através da mediação, podemos entender, a possibilidade do educador ofertar espaço para que o aprendiz expresse autonomia em seus estudos e possa construir seus conhecimentos por meio de sua própria experiência frente a realidade. Nesta concepção, o professor oferece um suporte que leva o educando a consiga alcançar os objetivos previamente estabelecidos e elabore elucidações de forma reflexiva e crítica. Favorecendo desta forma o surgimento de uma aprendizagem consistente e que possibilite ao discente a atribuição de sentido para os diferentes saberes que este acessar.

De modo a permitir uma maior compreensão do saber é fundamental que o educador tenha a concepção da complexidade envolvida no processo da educação, pois conforme fala Morin (2000) o conhecimento envolve todas as diferentes dimensões do ser humano, abrangendo o homem social, lúdico, afetivo, lógico e científico, cultural, espiritual entre outros diferentes aspectos. Assim, o autor enfatiza que é preciso considerar a existência humana em sua origem universal, inter-relacional e intrapessoal.

Nesse sentido Santos (2008) destaca a necessidade de um pensar globalizado, em detrimento de uma aprendizagem segmentada e repleta de fragmentos, evitando com isso a atomização do conhecimento e a descontextualização da ação pedagógica. Esta condição é destacada por Freire (1996) através do conceito de educação bancária, em que cada disciplina proposta no currículo escolar é tratada como algo isolado de outras áreas da ciência, desfavorecendo um pensar interdisciplinar.

É por meio do processo de mediação que o professor poderá formular caminhos que o aluno poderá trilhar e perceber as interconexões que os diferentes saberes possuem ao longo do curso. A fim de que este possa construir uma visão global das estruturas do conhecimento.

De acordo com Lakomy (2014) é preciso buscar o conhecimento prévio do educando e tudo aquilo que em seu ambiente social e cultural possam vir a colaborar com o processo de aprendizagem. O professor deve estar atento para desenvolver meios pedagógicos que levem os alunos a explorar seus saberes prévios e identificar as ligações do conhecimento que já possuem com as novas informações que irão receber.

Nessa direção Stoltz (2008) destaca duas perspectivas educacionais que colaboram com o processo de aprendizagem e com o próprio desenvolvimento do sujeito: a primeira é mobilizada pelo olhar da epistemologia genética de Piaget, o socioconstrutivismo, em que a partir do desenvolvimento e maturação biológica do organismo e da interação que este tem com o meio social, o conhecimento passa a ser construído e ajuda a reconstruir os próprios esquemas mentais do sujeito. Isto é, o ser humano desenvolve sua inteligência por meio de um intercâmbio permanente com o meio ao seu redor; a segunda foca no olhar de Vygotsky, a perspectiva histórico-cultural, que destaca a interação que o indivíduo tem com os símbolos culturais ao seu redor e o desenvolvimento que isto acarreta nas funções psicológicas superiores, realizando num primeiro momento um pensar social e depois individual.

Estas possibilidades podem ser estabelecidas como base do fazer docente, impulsionando o desenvolvimento do aluno de forma reflexiva e interativa com o meio em que habita. (NOGUEIRA; LEAL, 2013). Desta maneira conforme enfatizam Gaeta e Masetto (2013) quando a mediação pedagógica ocorre embasada em teorias educacionais que façam a integração entre as diferentes realidades de vida do aluno em seu processo de ensino, abre-se a possibilidade de perceber e assimilar novas informações de forma mais significativa e global.

Em síntese, o que percebemos é a vasta complexidade que o papel do professor e tutor exige frente às modificações do saber e da formação discente no século XXI, esta demanda requer a possibilidade de articular conhecimentos de forma mediada, permitindo a autonomia e criticidade de tais agentes no próprio processo de aprendizagem e, simultaneamente, pressupõe uma relação entre professor e aluno de forma horizontalizada, ou seja, em que se abre o espaço de discussão, respeito e construção coletiva entre o conhecimento e experiência de vida de ambos.

Thiago Ribeiro Borges concluiu o curso de Psicologia no UNISAL Lorena em 2013, em que obteve o título de Universitário 5 Estrelas. Atualmente é pesquisador e professor.