Fabiano-UNISAL (2)

Fabiano Ribeiro Vilas Boas
Formado em Administração – 2007

Passamos por todo o ensino médio sendo instruídos por nossos orientadores sobre o empenho necessário para o grande desafio de nossa vida educacional denominado: GRADUAÇÃO. Mas, algo tão longínquo não nos interessa quando temos 15, 16, 17 anos.

Quando cursava o ensino médio/técnico em Processamento de Dados desejava revolucionar o mundo da computação com uma ideia criativa e inovadora.  Depois, comecei a fazer um estágio não remunerado no DEMAR (Departamento de Engenharia de Matérias – EEL USP) e deparei-me com um mundo que até então não conhecia.

Ao término do estágio desejei fazer engenharia, para então fazer futuramente parte daquele corpo docente. Comecei a levantar as variáveis e, ao final, percebi que não seria possível. Faltava conhecimento em Matemática, Física e Química. Sem contar que, provavelmente, não passaria naquele tão concorrido vestibular. Então decidi não mais ser engenheiro!

Havia o desejo de me formar em Ciência da Computação, pois era com o que eu realmente me identificava. Terminei o ensino médio/técnico e fui prestar vestibular. Na primeira tentativa não obtive êxito; havia 20 vagas e minha colocação foi em quadragésimo primeiro. Frustração! No mesmo ano tentei outra faculdade na cidade de São José dos Campos. Pensei: “Agora estou preparado!”. Não foi o que o resultado demonstrou, fiquei muito longe de ser aprovado.

Naquele ano comecei a me questionar sobre o tempo que perdera em minha formação básica, até mesmo no ensino médio/técnico houve falta de comprometimento com os professores, que por sua vez, tentavam sempre nos motivar a estudar. Alguns até ficavam conosco fora do horário e, às vezes, nos finais de semana para no ajudar, porém minha dedicação era apenas para não reprovar no final do ano.

Depois de muito pensar e estudar outras variáveis, no ano seguinte ao fracasso, saí da zona de conforto; estava acomodado. Persisti novamente no vestibular. Mas, devido a enorme concorrência optei por outro curso, faria pelos próximos quatro anos Administração de Empresa com ênfase em Comércio Exterior. A concorrência era menor e fui aprovado.  Naquele momento, todos os familiares ficaram felizes pela minha aprovação. Mas acredite, eu não! Meu sonho não era estudar administração e sim Ciência da Computação.

O curso iniciou, foi difícil a adaptação, no primeiro ano me boicotei. Fiquei de dependência, arrastei uma matéria. No segundo ano ainda não aceitava o curso, consequentemente não levava a sério. Tomei bomba em mais duas matérias.  De acordo com o manual do aluno do Centro Universitário Salesiano de Lorena – UNISAL: o aluno que ficar de 3 ou mais matérias deverá interromper o curso e prosseguir após atingir média nas matérias reprovadas.

Pensei: “o sonho acabou. Meus amigos irão continuar e eu retroceder, que sensação de fracasso.” No entanto, neste momento de crise devemos sempre olhar para as variáveis favoráveis. Sempre há uma oportunidade quando se deseja viver sem acomodação.

No meu caso, um professor passou a me ajudar e se tornou meu orientador pessoal. Ele, intrigado com meus resultados, começou a me questionar: “você sabe quantas pessoas desejariam estar aqui no seu lugar? Tem noção de que você faz parte da minoria que consegue fazer uma faculdade? Por que não se dedica e sai da acomodação?”.

Ele me trouxe um dado interessante: apenas um por cento da população brasileira tinha este privilégio de cursar o ensino superior. Hoje, é bem verdade, esta estatística vem sofrendo mudança devido aos incentivos governamentais que facilitam o ingresso de pessoas nos cursos superiores.

Dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que houve um crescimento no número de brasileiros com diploma universitário na última década. O percentual geral aumentou de 4,4% em 2000 para 7,9% em 2010.

Aquela conversa com o professor foi traumática, porém motivacional. Determinou o que eu seria nos próximos anos como aluno de Administração. Além disso, meu orientador pedagógico foi mais além, me trouxe outras variáveis. Mostrou que dentro da Teoria da Administração havia a possibilidade da fusão de conhecimentos. Seria possível desenvolver sistemas (SIG ou ERP) baseados nos conhecimentos e teorias administrativas.

Com aquele bate papo decidi não me acomodar e prosseguir no curso de Administração e fui aprovado nas matérias que havia sido reprovado, descobrindo novas oportunidades. Quanto ao curso de Ciência da Computação, esse de alguma forma foi substituído pelos novos objetivos que também aprendi a valorizar. O curso de Administração proporcionou abertura de uma série de possibilidades profissionais que talvez o curso de Ciência da Computação me proporcionaria de maneira mais restrita.

As orientações foram favoráveis, entendi o que o professor desejava transmitir, continuei a estudar Administração e conclui MBA em Gestão de Pessoas e troquei a ciência das máquinas pela ciência das pessoas.

Da esquerda para a direita, Fabiano é o último. (Créditos: Arquivo pessoal)

Da esquerda para a direita, Fabiano é o último. (Créditos: Arquivo pessoal)

Contudo, os anos se passaram rapidamente. Não vimos tais tempos seguirem seu curso. Só reparamos ao final quando estávamos engravatados tirando fotos para o álbum de formatura. Lembro-me de que foi uma grande farra. Todos reunidos no pátio do UNISAL, próximo à cantina. Havia uma bicicleta de um garoto que ficou imortalizada em nossas lembranças.

Não demorou muito para meus colegas começarem a se alegrar buscando a quem agregar naquela “bagunça”. Para nossa surpresa passou por nós nosso amado Prof. Élcio Vieira, que tanto conhecimento nos mostrou e juntos foi possível imortalizar os jardins magníficos do UNISAL. Depois disso ficaram os sonhos, os desejos de sermos inovadores, empreendedores ou simplesmente alguém a fazer a diferença neste grande teatro chamado vida.

Para mim, estar no pátio do UNISAL foi simplesmente magnífico. Pude sonhar e acreditar em um futuro melhor. Passamos momentos felizes no intervalo quando o saxofonista realizava seu show… Nossa mente vagava. Devaneávamos esperançosos.

Estar e fazer parte dos ex-alunos do UNISAL. Não há palavras para descrever tal sensação. Para nós que estivemos lá basta fecharmos os olhos e sentirmos saudades dos tempos e dos momentos no jardim cheio de vida do UNISAL.