Sobre a Responsabilidade Social do Estudante Universitário

Fabio Camilo Biscalchin.[1]

Qual é a reponsabilidade do universitário no seu processo formativo? O que a sociedade espera do novo formando? Que ele, o formando, não perpetue a sua idiotice. Em outras palavras, o que se espera de um universitário? Que ele não seja idiota. Explico: A origem etimológica da palavra idiota transcorre do início do Estado Moderno e era utilizada para identificar o indivíduo incapaz de perceber e de se envolver com a coisa pública, com o ‘bem comum’. Ou seja, o idiota é aquele que tem preocupação única e exclusivamente consigo mesmo, em caráter privado. E, devido a essa atitude de estar voltado apenas para si, é impedido de ver o todo, e antes, de ver o outro.

A pessoa que decide cursar o ensino superior é convidada a entender que sua formação e sua futura ação profissional têm como fim, finalidade, a transformação social. É claro que o diploma, dependendo da qualidade do processo formativo, pode também garantir um melhor posto de trabalho, bem como, uma melhor remuneração, porém, reduzir todo o processo educacional apenas a um suposto sucesso profissional e financeiro é diminuir todo empenho e formação oferecida pelo ensino superior. Afinal, essa é a função da Universidade, promover a sabedoria, que significa, entre outras definições, a capacidade de ampliar o modo de enxergar a própria vida e o mundo em que se está inserido, e assim, perceber que o empenho pelo bem comum, implica uma mudança de pensamento e ação no processo formativo e de futura ação profissional.

Desse modo a responsabilidade social do estudante universitário é a de ser capaz de responder às principais exigências de seu tempo. Desse modo, é de reponsabilidade, primeiro da Universidade, ofertar um curso que não se reduza meramente ao ensinamento de disciplinas técnicas e operativas inerentes ao curso, mas sim, ofertar disciplinas que permitam ao discente enxergar a si próprio e a sua profissão através de uma ótica ampliada; segundo do docente, principalmente das disciplinas específicas do curso, ser capaz de perceber que cabe a ele ensinar o que é mais próprio de sua disciplina, pois ao focar no específico do curso através da disciplina lecionada, não há como não provocar no aluno a ampliação de sua visão de mundo. Surge uma observação, quando o docente não consegue ampliar a percepção de sua disciplina como interface com questões de maior envergadura, ele próprio denuncia sua incapacidade professoral, colocando em evidência sua idiotice. E, em terceiro, do discente, assumir a postura de estudante, o que implica participar de modo efetivo das aulas. Esse é o maior desafio! O perfil do estudante nos dias atuais não reflete essa participação efetiva, que exige: silêncio e desapego dos aparatos tecnológicos (celular, notebooks e outros) para maior concentração durante o período de aula e disciplina para acompanhar a elaboração dos raciocínios desenvolvidos, compreensão das leituras de textos, capacidade de fazer anotações, entre outros.

Boas respostas somente são oferecidas por pessoas que antes de tudo entendem a sociedade e o tempo em que vivem e, simultaneamente, se permitem construir uma base reflexiva que vai além dos anseios por respostas operativas e pragmáticas imediatistas.

Eis a responsabilidade social do aluno universitário: assumir o seu papel de estudante, nos moldes tradicionais: ser pontual, estar em silêncio, estar concentrado, ser participante e, assim, transformar-se em um possível revolucionário, isto é, sabendo onde vive e as ideologias de seu tempo, ele é capaz de propor mudanças, muitas vezes, de raiz, de profundidade.

Chega de uma postura leviana, de faz de conta. Chega de perpetuar a idiotice.


[1] Graduado em Filosofia (UNISAL, 1994), Mestre em Filosofia da Educação (UNIMEP, 2007). Professor do UNISAL, unidade Americana, desde 1999. (fabiocamilo@uol.com.br)

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