Resíduos Sólidos e a nossa responsabilidade

Ana Claudia Camargo de Lima Tresmondi

Desde nosso nascimento somos responsáveis pela geração diária de resíduos, a qual se findará apenas ao fim de nossa existência.

O que se nota no país é um acréscimo anual na geração per capita de resíduos, associado ao maior poder aquisitivo da população, o qual resulta na maior busca por produtos industrializados, que muitas vezes são apresentados ao consumidor em embalagens primárias e secundárias, o que irá aumentar o volume de resíduos produzidos.

Dados da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) divulgados em abril de 2011 indicam um crescimento de 9% na taxa de geração diária de resíduos no estado de SP em um ano. Cada habitante gerou 1,382 Kg de resíduos/dia em 2010, sendo que em 2009 haviam gerado 1,265 kg/dia.

Em SP 24% do lixo coletado em 2010 foi enviado para lixões, mesma porcentagem de 2009, sendo que o restante foi enviado para aterro.

Para se ter idéia do problema, Teresina, uma capital nacional, não apresentava até o final de 2010, um aterro sanitário para recebimento de seus resíduos.

Apesar das crescentes campanhas sobre a importância da reciclagem, apenas 2% dos resíduos gerados no país, em média, são enviados para reciclagem, o que indica nossa baixa adesão ao programa.

Segundo dados do CEMPRE (Compromisso Empresarial para a reciclagem), 98,2% das latas de alumínio foram enviadas para reciclagem no Brasil, em 2009, uma porcentagem superior ao Japão (93,4%) e Estados Unidos (57,4%).

Porém ainda há muita a ser feito, quando observamos o destino dos outros resíduos. O lixo doméstico apresenta em média 50% de matéria orgânica, o que poderia proporcionar um destino mais nobre para a matéria, como o envio para compostagem, possibilitando o aproveitamento de nutrientes ao invés de deixá-los em aterro.

As dificuldades ainda são a educação ambiental, quanto à importância da separação dos resíduos nas residências e um sistema de coleta seletiva que atendesse grande parte da população.

O problema dos sacos de lixo e resíduos de diversos tamanhos dispostos inadequadamente não deve ser esquecido, os quais propiciam  a presença de vetores e a contaminação ambiental, além de causarem o entupimento dos bueiros, agravando a situação durante as enchentes.

O uso das sacolas plásticas vem sendo banido gradativamente no país e municípios paulistas, por meio de incentivos financeiros ao consumidor (Rio de Janeiro) ou proibição (Belo Horizonte). Em Jundiaí, a proibição do uso das sacolas no segundo semestre de 2010 resultou em 132 milhões de sacolas a menos em circulação, o que equivale a 480 toneladas de plástico. Estima-se que no Brasil haja o consumo de 63 sacolas/ habitante por ano. Claro que os impactos sociais desse banimento estão relacionados à queda da produção nas indústrias fabricantes de sacolas, e a possível redução nos postos de serviço.

Grande parte dos aspectos relacionados à geração de resíduos está associada ao consumo. É fundamental que práticas de consumo sustentável sejam implantadas: 15% da população que vive nos países com alta renda são responsáveis por 56% do consumo mundial. Os 40% mais pobres respondem por 11% do consumo mundial.

Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que após 20 anos foi finalmente instituída pela lei 12.305 de 02 de agosto de 2010 foram estabelecidas orientações de forma a se obter uma gestão sustentável dos resíduos no Brasil.

Pretende-se que, por meio da política, 30% dos resíduos sejam enviados para reciclagem até o ano de 2014. Se for considerada a reciclagem de matéria orgânica, esse valor se eleva a 70%.

Na PNRS são também estabelecidas orientações para a logística reversa, sendo grupos prioritários pilhas e baterias, lâmpadas com substâncias nocivas, óleos lubrificantes e produtos eletroeletrônicos. Hoje já é praticada para pneus, embalagens de agrotóxicos, pilhas e baterias.

Em seu artigo 35 a política estabelece responsabilidade para os consumidores. Uma vez implantado o sistema de coleta seletiva os consumidores serão obrigados a acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e disponibilizar os resíduos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução.

O município deverá implantar sistema de compostagem urbana. Deverá ainda ser priorizada a organização e funcionamento das cooperativas e associações de catadores, os quais deverão ser contratados.

As orientações na PNRS visam o aspecto econômico, uma vez que em função das ações poderá auxiliar a gerar renda; ambiental, pois resultará no alívio dos aterros sanitários e social, por incluir os catadores no ciclo de gerenciamento.

Nós, consumidores, temos muito a contribuir com a nova política, pois uma vez que  estivermos conscientes de nossa responsabilidade e atuarmos, segregando os resíduos em nossas residências, será possível o início da grande reciclagem. Caberá aos governantes e demais envolvidos, como fabricantes de materiais sujeitos à logística reversa, possibilitarem a sequência da mesma, de forma que as metas sejam ao menos parcialmente atendidas nos seus anos iniciais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>