A Gestão Ambiental e a Responsabilidade Socioambiental

Denise Santos da Silva [1]
Eduardo Dutra de Armas [1]

[1] Professor do Curso de Engenharia Ambiental do Centro UNISAL ‐ Dom Bosco, Americana.

Ao longo do processo de crescimento econômico que impulsionou o progresso da humanidade, o qual se iniciou a partir da revolução industrial, a sociedade passou a conviver com o crescente aumento da degradação ambiental, da poluição e do comprometimento dos recursos ambientais. Esta temática proporcionou várias discussões a respeito dos impactos adversos das atividades humanas sobre o meio ambiente.

Os debates acerca desta temática acirraram‐se com a introdução do conceito de desenvolvimento sustentável pelo relatório Brundtland, o qual foi elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas em 1987, ganhando uma dimensão internacional a partir da conferência Eco‐92 (Rio‐92), realizada no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que teve como principal resultado a elaboração da Agenda 21 Global.

O objetivo da Agenda 21 é a preparação do mundo para os desafios do próximo século, através do compromisso político dos governos, incluindo cooperação internacional, para o planejamento da construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas mundiais, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Assim, os governos de cada país passaram a debater as estratégias para implantação dos programas necessários para cumprir as metas traçadas neste documento.

As organizações empresariais tiveram que repensar a forma de conduzir suas atividades, em função desta evolução na percepção e conscientização da sociedade devido à mudança de paradigma e, também, devido à introdução de mecanismos legislativos de proteção ambiental instituído pelo poder público, as quais aumentaram as pressões sociais e legais.

Desta forma, a fim de atender os anseios da sociedade, as empresas passaram a desenvolver uma nova postura, aliando o crescimento econômico, a equidade social e a conservação ambiental em prol do desenvolvimento sustentável. Esta mudança é pertinente com a Agenda 21 Brasileira (COMISSÃO DE POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E DA AGENDA 21 NACIONAL, 2004), visto que a ecoeficiência e responsabilidade social das empresas é um dos objetivos do programa, o qual passa pela adoção de tecnologias menos poluidoras e/ou aperfeiçoamento do modelo de gestão empresarial.

Tal fato é bastante pertinente, visto que todas as atividades realizadas pelo homem causam alteração favorável ou desfavorável de algum componente ambiental, seja no meio físico, biótico e/ou socioeconômico, que afetam a qualidade de vida da sociedade, sendo necessário controlar e/ou minimizar os impactos adversos e potencializar os impactos benéficos. Assim sendo, para que as organizações cumpram o seu papel quanto ao desenvolvimento sustentável, a gestão ambiental passou a ser introduzida voluntariamente nas práticas empresariais como um elemento importante no processo de tomada de decisão.

O setor industrial foi quem primeiro aderiu a esta prática, na década de 90, a fim de reduzir o impacto ambiental negativo das suas atividades, e os bons resultados advindos da introdução da gestão ambiental na gestão empresarial agradou aos seguimentos internos e ao público externo, em função do uso e gestão racionais dos recursos, contagiando outros setores, como de comércio e serviços.

As atividades empresariais ao incorporarem os princípios e práticas de sustentabilidade na gestão administrativa por meio de ferramentas de gestão ambiental contribuem na redução de custos, principalmente aqueles relacionados aos aspectos ambientais como consumo de água, energia e materiais, além da redução na geração de resíduos, promovendo, portanto, o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e justa, o que significa responsabilidade socioambiental.

Mais recentemente, o setor de serviços voltados à educação também foi envolvido pelo amadurecimento da consciência ecológica nas diferentes camadas e setores da sociedade, sendo que as Instituições de Educação Superior (IESs) responderam a este estímulo e vêm introduzindo novas competências e responsabilidades a fim de adequarem‐se à nova realidade.

As IESs têm importância fundamental no desenvolvimento da responsabilidade socioambiental nos seus discentes, docentes e funcionários, devido ao papel de promoção e disseminação do conhecimento.

Os exemplos de sustentabilidade oriundos das IESs influenciam positivamente a sociedade e a comunidade acadêmica, facilitando a compreensão sobre a questão socioambiental e servindo como fonte de motivação e qualificação para que alunos e egressos atuem de forma sustentável tanto na vida acadêmica quanto na profissional. A relevância deste aspecto é tal que o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) avalia a responsabilidade social e a proteção ao meio ambiente a fim de verificar o desempenho das IESs em todo o território nacional (BRASIL, 2004).

Os benefícios da gestão ambiental visando atuação socioambiental responsável são inúmeros, sendo que pesquisas realizadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) identificaram a preferência das pessoas por produtos e serviços realizados por organizações ambientalmente responsáveis e que não agridem o meio ambiente (Oliveira Filho, 2004).

A grande dúvida em torno da prática da responsabilidade socioambiental no meio corporativo está em saber se a mesma é decorrente de uma revolução consciente na forma como as pessoas interagem com o ambiente, fruto de mudanças culturais e educacionais, ou apenas uma adequação frente às imposições legais e exigências de mercado. Será que a sociedade brasileira realmente encontra‐se em evolução quanto a sua responsabilidade socioambiental?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOFF, M.L.; ORO, I.M.; BEUREN, I.M. Gestão Ambiental em Instituição de Ensino Superior na visão de seus dirigentes. Revista de Contabilidade da UFBA, v. 2/2, p. 4‐13, 2008.

BRASIL. Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004. Presidência da República, Casa Civil, Sub‐chefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004‐2006/2004/lei/l10.861.htm. Acesso em 02/09/2011.

COMISSÃO DE POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E DA AGENDA 21 NACIONAL. Agenda 21 Brasileira: ações prioritárias. 2. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. 158 p.

FERREIRA, A. J. D.; LOPES, M.; MORAIS, P. Implicações educativas da implementação de um sistema e gestão ambiental numa instituição do ensino superior. Centro de Estudos dos Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Escola Superior Agrária de Coimbra, Coimbra, Portugal, 2006. p.304‐316. Disponível em: www.esac.pt/emas@school/EMAS@SCHOOL/…/Aferreira_com.pdf. Acesso em: 10/09/2011.

HASWANI, M.F. Comunicação Governamental: em busca de um alicerce teórico para a realidade brasileira. Organicom (USP), v. 4, p. 24‐39, 2006.

OLIVEIRA FILHO, J. Gestão ambiental e sustentabilidade: um novo paradigma socioeconômico para as organizações modernas. Domus On Line: Revista de Teoria Política, Social e Cidadania, v. 1, n. 1, p. 92‐113, 2004. Disponível em: http://www.fbb.br/downloads/domus_jaime.pdf. Acesso em: 09/09/ 2011.

TAUCHEN, Joel; BRANDLI, L. Londero. A gestão ambiental em instituições de ensino superior: um modelo para implantação em campus universitário. Gestão & Produção, v. 13, n. 3, p. 503‐515, set.‐dez. 2006.

TINOCO, J. E. P.; KRAEMER, M. E. P. Contabilidade e Gestão Ambiental. São Paulo: Atlas, 2004. 304 p.

WIENHAGE, P.; SOUZA, R.P.S.; SILVA, J.O.; RAUSCH, R.B.; ROCHA, I. Responsabilidade social em Instituições de Ensino Superior: práticas adotadas para a gestão ambiental. Gestão Contemporânea. Porto Alegre, ano 6, n. 6, p. 97‐119, jan./dez. 2009.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>