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16 abr

Sabores de Inverno

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marilia

Com as temperaturas baixas, parece que nosso corpo precisa de mais mimos.

Não falo só de agasalhar-se. Refiro-me a carinhos maiores, que aquecerão o corpo e o espírito.
Alguns de nós, adoram o frio, outros o escorraçam, como se estivessem vivendo um período glacial no planeta!

Mas, o homem é um bicho migratório e estranho. Mesmo aqueles que não se dão com o frio, no inverno, procuram locais gelados, como cidades cravadas nas montanhas, onde a temperatura normalmente já é baixa, e no inverno então, em muitas delas, é comum ocorrer neve, mesmo que estejamos em um país tropical. 

Mas, por que é que o homem procura locais assim?

A resposta é paradoxal, entretanto, certeira.

Nós precisamos ampliar o nosso desconforto para percebermos o prazer em sua totalidade. Nem sempre buscamos o equilíbrio pela aproximação de coisas que se combinam, mas sim, equilibrando seus opostos. Talvez aí resida um dos grandes mistérios do comportamento humano, que ainda não foi plenamente desvendado pela ciência.

O inverno, mais do que o verão, convida realmente a trabalhar todos esses aspectos porque é natural a intimidade, a aproximação com tudo aquilo que aquece, e portanto, oferece conforto. Dessa maneira, buscamos e ansiamos pelo frio para propiciarmos ao nosso corpo, os prazeres do aquecimento, do conforto.

Então, é aí que os prazeres do inverno acontecem…

Olhamos o céu com maior frequência, porque afinal de contas, o tempo seco o deixa limpinho, sem nuvens.

Aí, nos reunimos para comer, compartilhamos cobertores para nos aquecer enquanto vemos televisão. Tomamos mais chás e chocolates porque não é só o paladar que está em jogo, mas sim, o gostoso conforto de aquecermos nossas frágeis mãos com uma grande caneca quente.

Então, eu lhe pergunto: “Quando nos deparamos com um ser humano exatamente como nós, jogado em um canto qualquer de uma esquina anônima, numa grande cidade, o que nos dói mais é o frio que o corpo deste nosso irmão esteja passando, ou a solidão e o descaso dado a ele enquanto ser humano?”

A vida parece engolir algumas pessoas de maneira tal que a felicidade seja uma ilusão e um desejo jamais realizado. Por isso, quando ajudamos alguém nessas condições, especialmente no frio, não estamos apenas dando a essa pessoa a oportunidade de aquecer este corpo, mas, sobretudo a possibilidade de manter viva em seu peito a chama da solidariedade.

E pode haver sabor mais intenso e delicioso que o da caridade difundida entre todos nós?

assinatura_marilia

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