28 jun

O desafio da educação em um campo minado

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Todos os dias quem fala e escreve sobre educação se pergunta: qual o efeito e a credibilidade desse tema no Brasil?

Carregamos em nossas costas o peso da herança de um país desde os tempos coloniais. A corrupção passa pelo nosso sangue desde antes de o Brasil ser país.

Num campo minado como esse impossível formar cidadãos honestos, certo?

Errado! Pelo menos é nisso o que acreditam jornalistas que escrevem sobre educação todos os dias, sejam em redações, à frente de assessorias de imprensa de órgãos educacionais e instituições de ensino ou ainda nas salas de faculdades, ainda como estudantes ou até mesmo como professores de comunicação.

Um tema tão profundo, pois envolve interesses legítimos de vários campos, provenientes do poder público, passando pelo privado e chegando até a sociedade civil, é, em muitos casos, escrito de uma forma superficial ou tratado como algo irrelevante.

Superficial, pois 99% dos jornalistas que trabalham nessa área disseram não ser preparados para falar de um tema tão crítico, é o que revela a tese de doutorado  sobre Jornalismo e jornalistas de educação no Brasil: Um olhar multifocal sobre história, estrutura, agentes e sentidos, de autoria do jornalista e pesquisador Rodrigo Ratier, e que foi defendida na Universidade de São Paulo (USP).

Pouca experiência, falta de espaço nos veículos de comunicação, falta de interesse publicitário pelo tema, o nascimento e a morte de cadernos especializados sobre o assunto. É realmente um campo minado sim,  mas não de bombas, e sim de desafios a serem cuidados com certa atenção.

Como nós, assessores de imprensa, iremos levar histórias mágicas de personagens, até então anônimos, para grandes veículos e, consequentemente, mudar a sociedade, se não temos pela frente uma perspectiva positiva de mercado?

A Pátria Educadora chamada Brasil é formada por todos nós. É para construí-la de fato que devemos usar como fator motivacional o ato de escrever todos os dias com paixão, não cessar na busca por novos temas, fontes, números, olhares.

Poderia ficar aqui falando e falando, mas prefiro descobrir. E a descoberta passa pela união de forças e pensamentos diferentes com quem pensamos que sabe muito e que se mostra humilde em dizer que precisa aprender. É aí que surge a Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), lançada oficialmente neste dia 23 de junho, durante o 11º Congresso da ABRAJI (Associação Brasileira de Jornalismo Invesgativo), em São Paulo. O grupo conta com jornalistas especializados em educação de veículos de  nacionais.

Afinal, pauta não falta dentro e fora das redações. Tudo passa pela educação. Um tema tão abrangente como esse pode até perder espaço por conta da falta de incentivo publicitário nos grandes meios de comunicação, mas deve ganhar vida a cada contato nosso no teclado de nossos celulares ou computadores, por meio de nossos olhares e discursos e pela principal missão de um jornalista: ser mensageiro de boas histórias. Ser um bom contador de histórias.

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