31 jan

O Liberal (Impeachment é assunto ‘proibido’ entre prefeitos da RPT – Prof. Daner Honrich)

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Doutor em filosofia afirma que ‘silêncio’ dos chefes do Executivo da região é ruim para o sistema democrático

Os prefeitos da RPT (Região do Polo Têxtil) preferiram não emitir uma opinião sobre a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) quando questionados pela reportagem do LIBERAL. O assunto voltará à tona a partir desta semana, quando os deputados federais retornam do recesso parlamentar, na terça-feira. Com isso, a ação que pede a saída da presidente volta a ser discutida e uma comissão especial será formada para a analisar o tema. Para o doutor em filosofia e professor do UNISAL (Centro Universitário Salesiano de São Paulo), Daner Hornich, o “silêncio” dos chefes do Poder Executivo regional sobre o assunto é “ruim para o sistema democrático”.

O único prefeito que se manifestou foi Benjamin Bill Vieira de Souza (PSDB), de Nova Odessa. Ainda assim, o tucano não afirmou uma posição. “Acredito que neste momento não seja a questão de ser a favor ou contra o impeachment, mas sim favorável à retomada da movimentação econômica do Brasil. Eu, como cidadão brasileiro e como prefeito, quero que essa situação se resolva o mais rápido possível e que deputados, senadores e o governo federal se juntem à sociedade, aos empresários, aos trabalhadores e voltem a discutir a melhor forma de superarmos essa crise”, afirmou, em nota encaminhada ao LIBERAL. “O que não podemos é continuar como estamos, discutindo apenas uma crise política, quando o maior reflexo disso é uma crise econômica sem precedentes, com aumento de preços e pais de família perdendo o emprego. Se o melhor para o país for que a presidenta se afaste ou deixe o cargo, que isso aconteça o mais rápido possível”, concluiu. 

Já a assessoria de imprensa do prefeito de Americana, Omar Najar (PMDB) enviou uma nota ao LIBERAL onde o prefeito diz que não tem “nada a comentar sobre o processo, ainda em andamento no âmbito federal”. Nem mesmo o prefeito de Hortolândia, Antonio Meira, que pertence ao PT – mesmo partida da presidente -, não se pronunciou sobre o assunto, apesar dos inúmeros contatos via telefone e e-mail, assim como a prefeita de Sumaré, Cristina Carrara (PSDB). O prefeito de Santa Bárbara d’Oeste, Denis Andia (PV), afirmou, durante o evento de inauguração do Instituto de Criminalística de Americana – ocorrido no dia 15, que participaria do debate, mas não retornou os contatos até a publicação da reportagem.

“É importante que eles (prefeitos) se posicionassem sobre o que eles pensam, afinal, quase metade da população não votou na Dilma. É ruim para a democracia quando eu deixo de falar sobre uma situação que estamos vivendo, ainda mais agora que estamos num vazio político”, ponderou Hornich. “Se a pessoa tem uma atividade política de prestação de serviço para o Estado brasileiro, como na prefeitura, se ele deixa de emitir uma opinião está prestando um desserviço para a população. O prefeito tem que prestar contas daquilo que ele faz e pensa”, emendou o professor.

Hornich lembrou também que este é o ano de eleições municipais. “A grande questão é que eles (prefeitos) não vão se manifestar por conta das eleições, por não quererem ser comparados com o governo (federal)”, disse. Para o professor, o processo de impeachment não deve voltar com tanto destaque. “Passamos um ano todo sobre o impasse do impeachment e acredito que não deve voltar com tanta força. Se a gente não entrasse na crise econômica, talvez nem se ventilasse essa possibilidade”.

Enquete
Em uma enquete disponibilizada no portal do Grupo Liberal durante uma semana, a maioria dos leitores se mostrou favorável ao impeachment de Dilma. Ao todo, 214 pessoas participaram e 71% se manifestaram a favor, 27% contra a cassação e 2% disseram não ter uma opinião sobre o assunto.

Fonte: O Liberal

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