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17 mai

Bacia Hidrográfica Tabuão ou Lorena: Mudança de visão

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*Euni Vieira

Um dos temas mais discutidos nos últimos tempos é a água. Isto se dá devido a vários fatores, dentre eles, as mudanças climáticas que causam impactos no país e no mundo, como o aquecimento global, a seca em alguns lugares e excesso de chuvas em outros, favorecendo a maior crise do século XXI, a escassez da água. Cientistas afirmam que a forma como o homem usa e ocupa o solo, ao longo do processo histórico, vem determinando alterações significativas no ambiente.

No Brasil, ao longo dos 500 anos, passamos por vários processos  de uso e de ocupação do solo: derrubada do pau- brasil, produções de cana de açúcar, café, carvão, leite, carne bovina, cereais, eucaliptos e construções de prédios residenciais.

A ONU (2016) declara que metade da força de trabalho mundial está empregada em oito setores dependentes de recursos hídricos e naturais: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura com uso intensivo de recursos, reciclagem, construção e transporte.

Considerado o mais importante recurso natural mundial, no qual dependem todas as espécies de vida, muitos se perguntam: será que a água irá acabar? Estudos afirmam que a água que utilizamos é a mesma desde a época dos dinossauros, sendo assim, ela não irá acabar, entretanto, teremos dificuldades em acessá-la.

A redução da disponibilidade de água irá intensificar ainda mais a disputa pela água por seus usuários, incluindo a agricultura, a manutenção de ecossistemas, assentamentos humanos, a indústria e a produção de energia. Isso afetará os recursos hídricos regionais, a segurança energética e alimentar, e potencialmente a segurança geopolítica, provocando migrações em várias escalas. Neste contexto, faz-se necessário compreender os processos de produção, conservação e gestão das bacias hidrográficas.(CONNOR E PAQUIN, 2016, p. 04) 

 Entretanto, o que sabemos sobre bacias hidrográficas?

De acordo com os Cadernos de Educação Ambiental, Recursos Hídricos, publicado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, bacia hidrográfica (BH) é: o conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. A área da bacia hidrográfica é delimitada das cabeceiras ao ponto de saída da água (exutório). As chuvas e os fluxos subterrâneos são as entradas de água na bacia. A evaporação, a transpiração das plantas e animais e o escoamento das águas superficiais e subterrâneas são as saídas. Nas bacias hidrográficas a água escoa normalmente dos pontos mais altos para os mais baixos. A área de drenagem, calculada em quilômetros quadrados (km²), a extensão do rio principal em quilômetros (km) e sua declividade e a declividade do terreno caracterizam cada bacia hidrográfica. A vazão é expressa de modo geral, em metros cúbicos por segundo (m³/s) ou em litros por segundo (L/s). (SÃO PAULO, 2014, p. 16)

A definição acima, nos apresenta três elementos importantes para constituir uma bacia hidrográfica: o ciclo da água, o relevo e o uso e a ocupação do solo. O ciclo da água cumpre o seu papel quando realiza o processo de precipitação, infiltração e evaporação, e condensação da água, formando os lençóis freáticos, nascentes, rios e lagos (superficiais e voadores) de uma bacia hidrográfica.

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”,  formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. (BRASIL, 2013). O termo “rios voadores” foi popularizado pelo prof. José Marengo do CPTEC- Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

 Já o relevo, devido à inclinação do solo, é que determina o caminho das águas, fazendo nascentes, córregos, riachos, ribeirões, desaguarem no mesmo ribeirão ou rio, nomeando a bacia.

O uso e a ocupação do solo, traz consequências, ou seja, toda ação sobre o solo interfere na quantidade e qualidade da água. As principais bacias hidrográficas brasileiras são as do rio Amazonas; Tocantins-Araguaia; Paraguai; Paraná; São Francisco; Parnaíba; Atlântico Nordeste Ocidental; Nordeste Oriental; Atlântico Leste; Atlântico Sudeste; Atlântico Sul e Uruguai. A bacia hidrográfica do Rio Paraíba é uma das principais do Atlântico Sudeste.

No Vale do Paraíba, a principal bacia hidrográfica é a do Rio Paraíba do Sul, que banha o município de Lorena, num curso de 16 km e cuja largura média é de 100 metros. (SÃO PAULO-LORENA, 2007)

 A bacia hidrográfica é composta por várias microbacias. De acordo com Faustino (1996 apud TEODORO el al, 2007)  a microbacia possui toda sua área com drenagem direta ao curso principal de uma sub-bacia, várias microbacias formam uma sub-bacia, sendo a área de uma microbacia inferior a 100 km².

 No município de Lorena, o Rio Paraíba do Sul possui vários afluentes e microbacias, como indica o mapa abaixo.

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Seus afluentes da margem direita são: Ribeirão São João, Córrego Farroupilha, Ribeirão Tabuão, Córrego Quatinga e Córrego dos Panos. Na margem esquerda são os seguintes: Córrego da Fazenda do Porto do Meira, Ribeirão da Posse (Macacos), Ribeirão da Limeira, Córrego do Campinho e Córrego Fazenda Vista Alegre. (SÃO PAULO-LORENA, 2007).

A microbacia  hidrográfica do Tabuão ou Lorena é uma das mais importantes, embora sua ocupação seja predominantemente rural, abriga a área urbana do município. O UNISAL está localizado nesta microbacia.  Suas nascentes ficam na área rural, na Serra Quebra Cangalha, no bairro Pedroso, na Fazenda Santa Edwiges, há 1239 m de altitude, divisa com o município de Cunha e possui dois afluentes principais, o córrego Três Barras e o ribeirão São Francisco. (SILVA, 2004). Possui uma represa de contenção das águas de chuva, onde se localiza o Parque Ecológico Tabuão.

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Fonte: Instituto OIKOS de Agroecologia/ UNISAL/INPE, 2006.

Conforme a Lei Nº 9.433, de 8 de Janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, a água é um bem de domínio público, essencial à qualidade de vida, e de acordo com o Artigo 225 da Constituição Brasileira, a garantia do seu uso, impõe ao poder público e à coletividade o dever de defendê-la e preservá-la.

 A melhor forma de defendê-la e preservá-la é o gerenciamento das bacias hidrográficas, conforme determina a Política Nacional de Recursos Hídricos, em que  poder público e coletividade têm papeis fundamentais, de um lado, conhecimento técnico, recursos financeiros, planejamento, fiscalização e, de outro,  educação e cuidado.

Precisamos mudar nossas atitudes, deixando a visão extrativista no uso dos bens naturais para uma visão integrada de vida e ambiente!

perfil-euni-vieira*Euni Vieira - Mestre pelo Programa de Pós-graduação em projetos educacionais de Ciências – PPGPE-USP-2014-2016, Pedagoga e Psicopedagoga pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena. Atualmente, leciona no UNISAL, Unidade Lorena. Tem experiência na área de Educação Básica e Ensino Superior, com ênfase em Formação de Professores. Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Lorena.

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