Alunos de Ciência da Computação analisam perfis depressivos na internet

UNISALTudo começou com uma conversa entre futuros profissionais de Ciência da Computação que estudam no UNISAL: Abner Lucas Raymundo, João Bosco Jr., Pedro F. Neto e Pedro C. A partir da tecnologia Big Data (um grande conjunto de dados armazenados) surgiu a pesquisa de dois Trabalhos de Conclusão de Curso voltados à rede social Twitter. Um das equipes (com Pedro Castro e João Bosco) realizou a coleta de dados e formação do Big Data, e a outra (com Abner e Pedro Neto) fez a análise dos textos dos tweets (postagens no Twitter). O objetivo era identificar comentários de cunho depressivo na rede social em uma amostragem de 40 mil tweets. Após a primeira triagem, Pedro Castro e João Bosco chegaram a 1.200 frases, das quais 450 tinham cunho depressivo e outras 750 eram neutras.

Após identificar os depoimentos de cunho depressivo, Abner e Pedro Neto analisaram também o perfil dos usuários. “Logo no início, percebemos que se tratava de mulheres jovens, na maioria das vezes”, contou João Bosco, que buscou em um dos perfis uma solução inusitada.  Ao constatar frases com sentimentos depressivos, ele percebeu que uma jovem específica usava expressões preocupantes e se dispôs a conversar com ela. E essa simples atitude mudou o comportamento na rede social: “a partir daí, ela começou a postar frases mais positivas; de certa forma eu a ajudei”.

Para o psicólogo e docente do UNISAL André Luiz Moraes Ramos, que também atua no Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), as redes sociais funcionam como um espaço de livre expressão, no qual também surgem declarações de descontentamento máximo com a vida e até intenções de suicídio. “Nesta hora, é possível identificar diferentes reações: há aqueles que incentivam a morte aguçando as ideias suicidas da pessoa em desespero, mas há também aqueles que se oferecem para dar apoio à vida, oferecem uma escuta acolhedora e apresentam argumentos religiosos”, revela Professor André.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública, que mata 1 brasileiro a cada 45 minutos, e 1 pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo. Muitos casos são consequência da depressão. Segundo o professor André, é preciso aproveitar as situações que as redes sociais apresentam para reconstruir relações em um novo tempo. E a partir da interação de João Bosco com aquela jovem no Twitter que os estudantes pensaram em ir além. “Ainda iremos apresentar nosso Trabalho de Conclusão de Curso, mas queremos continuar com uma plataforma na qual profissionais da área da saúde possam acessar dados de perfis depressivos e orientar essas pessoas. Assim evitaríamos problemas”, revelou Abner.

O grupo planeja que, a partir da Inteligência Artificial, é possível estabelecer quais perfis têm históricos depressivos e quais trazem mensagens esporádicas.“A ideia é fazer parceria com outros Cursos do UNISAL – por exemplo, de psicologia – para ter um olhar profissional sobre esses dados”, finalizou Pedro Castro.

A apresentação dos trabalhos de João Bosco e Pedro Castro será realizada no dia 27.11, das 17h às 18h, e a de Pedro Neto e Abner Lucas na mesma data, das 18h às 19h. Esse tipo de atividade enriquece o histórico do Curso de Ciências da Computação, o único na região do Vale do Paraíba, e com Ex-Alunos atuando em grandes empresas e organizações, como a NASA e a TOTVS.